A arquitetura das orações subordinadas substantivas depende de um conectivo específico que as introduz sem exercer qualquer função sintática interna. A conjunção integrante atua como um mero elo estrutural, subordinando uma oração inteira ao período principal. Compreender sua natureza invariável e seu comportamento sintático exige a distinção rigorosa entre ela e outras classes gramaticais homógrafas, notadamente o pronome relativo, cujas fronteiras definem a classificação correta do período composto.
Definição e Natureza Morfológica
A conjunção integrante é uma palavra invariável que tem a função exclusiva de introduzir orações subordinadas substantivas. Diferentemente dos pronomes, ela não substitui um nome, não retoma um termo anterior e não exerce função sintática (sujeito, objeto, etc.) dentro da oração que ela mesma introduz. A oração por ela iniciada é que atuará como um bloco único, exercendo a função sintática na oração principal.
Condições de Aplicação
Para que uma palavra seja classificada como conjunção integrante, deve preencher dois requisitos simultâneos:
- Introduzir uma oração subordinada substantiva (subjetiva, objetivas, completiva nominal, predicativa ou apositiva).
- Não exercer nenhuma função sintática interna na oração que introduz.
Exemplos:
- "É necessário que você estude." (Oração subordinada substantiva subjetiva. O "que" não é sujeito, nem objeto; apenas introduz a oração).
- "Espero que tudo dê certo." (Oração subordinada substantiva objetiva direta).
- "Não sei se ele virá." (Oração subordinada substantiva objetiva direta. O "se" também atua como conjunção integrante).
O Teste de Validação Definitivo
A identificação da conjunção integrante em provas e análises textuais exige a aplicação de um teste infalível. Como a oração inteira introduzida pela conjunção funciona como um substantivo, ela pode ser substituída por um pronome demonstrativo.
Teste do "ISSO": Substitua toda a oração iniciada pela conjunção pelo pronome demonstrativo "ISSO" (ou suas variações "NISSO", "DISSO", "AQUILO"). Se a frase permanecer gramaticalmente correta e o sentido for preservado, a palavra que introduzia a oração é, inquestionavelmente, uma conjunção integrante.
Aplicação prática:
- Frase original: "Acredito que a aprovação é possível."
- Teste: "Acredito NISSO."
- Conclusão: A frase mantém a coerência. Logo, o "que" é conjunção integrante.
Aplicação prática 2:
- Frase original: "Desejo que você seja feliz."
- Teste: "Desejo ISSO."
- Conclusão: A substituição é válida. O "que" é conjunção integrante.
🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Este teste é a ferramenta mais cobrada para diferenciar a conjunção integrante do pronome relativo. As bancas apresentam frases com a palavra "que" e exigem a classificação morfossintática. A aplicação do teste do "ISSO" resolve a questão em segundos, eliminando a dúvida entre as duas classes.
Contraste Fundamental: Conjunção Integrante versus Pronome Relativo
A confusão entre a conjunção integrante e o pronome relativo "que" é a armadilha mais frequente na análise sintática de períodos compostos. Ambos são representados pela mesma grafia, mas pertencem a categorias morfossintáticas opostas.
Pronome Relativo
O pronome relativo tem duas características inegociáveis:
- Retoma um termo antecedente (um substantivo ou pronome) da oração anterior.
- Exerce uma função sintática dentro da oração que introduz (sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc.).
Exemplo: "Comprei o livro que estava na mesa."
- Antecedente: "o livro".
- Função sintática na segunda oração: "que" é o sujeito do verbo "estava" (O livro estava na mesa).
- Teste do "ISSO": "Comprei o livro ISSO." (A frase perde o sentido e a coerência. Logo, não é conjunção integrante).
Conjunção Integrante
A conjunção integrante, por sua vez:
- Não possui antecedente.
- Não exerce função sintática interna na oração que introduz.
Exemplo: "Acredito que o livro é bom."
- Não há antecedente a ser retomado.
- O "que" não é sujeito nem objeto de "é" (O livro é bom).
- Teste do "ISSO": "Acredito NISSO." (A frase mantém a coerência. Logo, é conjunção integrante).
🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre pronome relativo e conjunção integrante define a classificação da oração subordinada. Se for pronome relativo, a oração é subordinada adjetiva. Se for conjunção integrante, a oração é subordinada substantiva. As bancas utilizam essa distinção em questões de pontuação (uso da vírgula) e de concordância verbal.
Outras Conjunções e Locuções Integrantes
Embora o "que" e o "se" sejam as conjunções integrantes mais comuns, é necessário delimitar o conceito para não confundir com outras classes que também iniciam orações subordinadas.
Locuções Conjunções Integrantes
Existem locuções que exercem a mesma função de introduzir orações subordinadas substantivas, formadas por preposição mais a conjunção "que".
Exemplo: "Tenho certeza de que você vencerá." (A locução "de que" introduz uma oração subordinada substantiva completiva nominal. O teste do "ISSO" se aplica: "Tenho certeza DISSO").
O Limite das Conjunções Subordinativas Adverbiais
É crucial não confundir a conjunção integrante com as conjunções subordinativas adverbiais (causais, temporais, condicionais, etc.). Estas introduzem orações subordinadas adverbiais e possuem valor semântico circunstancial, o que as impede de serem substituídas pelo pronome "ISSO".
Exemplo: "Como estava chovendo, não saí." (Conjunção subordinativa adverbial causal. Não é possível dizer "ISSO estava chovendo, não saí").
🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A confusão entre conjunção integrante e conjunção subordinativa adverbial ocorre quando o candidato decora que "toda conjunção que inicia oração dependente é integrante". A verificação do valor circunstancial e a falha no teste do "ISSO" são os mecanismos para evitar esse erro.
Armadilhas e Exceções de Classificação
A análise da conjunção integrante enfrenta desafios específicos quando a palavra "que" assume outras funções morfológicas em estruturas aparentemente semelhantes.
O "Que" Pronome Substantivo
Quando o "que" é precedido de artigo, pronome adjetivo ou numeral, ele deixa de ser conjunção ou pronome relativo e assume a função de pronome substantivo (equivale a "a coisa que" ou "aquilo que").
Exemplo: "Não entendi o que você disse." (O "que" é precedido do artigo "o". Equivale a "aquilo que". Não é conjunção integrante, pois a oração "o que você disse" funciona como um sintagma nominal, e o "que" exerce função sintática interna - objeto direto de "disse").
A Falácia da Função Sintática do "Que"
Um erro recorrente em materiais didáticos superficiais é afirmar que o "que" da conjunção integrante exerce a função de sujeito ou objeto. Isso é conceitualmente falso. Na oração "É provável que chova", o "que" não é sujeito. A oração inteira "que chova" é que é o sujeito do verbo "é". O "que" é apenas o conectivo invariável que marca o início dessa oração.
Mapa Mental: A Conjunção Integrante
- Natureza e Função
- Classe: Conjunção (palavra invariável).
- Função: Introduzir orações subordinadas substantivas.
- Característica crucial: Não retoma antecedente e não exerce função sintática interna.
- Teste de Validação (O Teste do "ISSO")
- Substituir a oração inteira pelo pronome "ISSO" (ou DISSO, NISSO).
- Se a frase mantiver coerência e gramaticalidade: É conjunção integrante.
- Se a frase perder o sentido: Não é conjunção integrante.
- Contraste: Conjunção Integrante vs. Pronome Relativo
- Pronome Relativo: Tem antecedente, exerce função sintática interna, inicia oração adjetiva. (Falha no teste do ISSO).
- Conjunção Integrante: Não tem antecedente, não exerce função interna, inicia oração substantiva. (Passa no teste do ISSO).
- Principais Representantes
- "que" (ex: Quero que estudes).
- "se" (ex: Perguntei se ele viria).
- Locuções: "de que", "em que", "por que" (ex: Tenho medo de que caia).
- Armadilhas e Limites
- Não confundir com conjunções subordinativas adverbiais (causais, temporais, etc.).
- Atenção ao "que" pronome substantivo (precedido de artigo: "o que", "algo que").
- O "que" integrante NUNCA é sujeito ou objeto; a oração inteira é que exerce a função.
Conclusão
O domínio da conjunção integrante consolida a compreensão da hierarquia sintática nos períodos compostos. Ao internalizar que este conectivo atua exclusivamente como um marco inicial de uma oração que funcionará como um bloco substantivo, o analista elimina a tendência equivocada de atribuir funções sintáticas ao próprio conectivo. A aplicação sistemática do teste do "ISSO" fornece um critério objetivo e inquestionável para separar a conjunção integrante do pronome relativo e das conjunções adverbiais.
Na prática avaliativa, a precisão nessa distinção é o pilar para a correta classificação das orações subordinadas e para a aplicação das regras de pontuação e concordância. O erro mais frequente reside na tentativa de analisar o "que" isoladamente, ignorando que sua natureza só se define pela relação que estabelece com a oração que introduz. A leitura atenta da presença de antecedentes e a verificação da substituibilidade por "ISSO" garantem a classificação morfossintática exata e a segurança na resolução de questões complexas.
Questão 1
Perfil: FGV — Analista Administrativo — Sintaxe do Período (Aplicação do Teste do "ISSO" para identificação de conjunção integrante).
"O diretor confirmou que a reunião foi cancelada."
Enunciado: Na oração acima, a palavra "que" classifica-se morfossintaticamente como conjunção integrante. A comprovação dessa classificação pode ser obtida por meio da aplicação do teste de substituição, que consiste em:
- a) Substituir o "que" pelo pronome "o qual", mantendo a coerência da frase.
- b) Substituir toda a oração iniciada por "que" pelo pronome demonstrativo "isso", resultando em "O diretor confirmou isso".
- c) Substituir o "que" pela conjunção "porque", resultando em "O diretor confirmou porque a reunião foi cancelada".
- d) Verificar que o "que" retoma o substantivo "diretor" e atua como sujeito do verbo "confirmou".
- e) Identificar que o "que" introduz uma oração subordinada adverbial objetiva direta.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: B
Análise: A FGV testa a aplicação prática do Teste do "ISSO", que é o método infalível para identificar a conjunção integrante. Como a oração inteira introduzida pela conjunção funciona como um substantivo (neste caso, objeto direto de "confirmou"), ela pode ser substituída pelo pronome demonstrativo "ISSO". Ao substituir "que a reunião foi cancelada" por "ISSO", obtém-se "O diretor confirmou ISSO", frase perfeitamente coerente e gramatical. Isso comprova que o "que" é conjunção integrante.
A alternativa A descreve o teste do pronome relativo. A alternativa C descreve a substituição por conjunção causal. A alternativa D atribui função sintática ao "que", o que é falso para a conjunção integrante.
Questão 2
Perfil: Cebraspe — Técnico Judiciário (TRT) — Sintaxe do Período (Distinção entre conjunção integrante e pronome relativo).
I. O relatório que o gerente redigiu foi aprovado.
II. O gerente confirmou que o relatório foi aprovado.
Enunciado: Julgue o item a seguir. Nas orações I e II, a palavra "que" assume classes morfológicas e funções sintáticas distintas. Na oração I, o "que" é pronome relativo e exerce função de objeto direto; na oração II, o "que" é conjunção integrante e não exerce função sintática interna na oração que introduz.
- a) Certo.
- b) Errado.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: A (Certo)
Análise: O Cebraspe testa a distinção clássica entre pronome relativo e conjunção integrante.
Na oração I ("O relatório que o gerente redigiu..."): O "que" retoma o antecedente "relatório" e exerce função sintática na oração que introduz. O gerente redigiu o quê? O relatório. Logo, o "que" é pronome relativo com função de objeto direto. O teste do "ISSO" falha ("O relatório ISSO foi aprovado" não faz sentido).
Na oração II ("O gerente confirmou que o relatório foi aprovado"): O "que" não retoma antecedente e não exerce função sintática interna (o sujeito de "foi aprovado" é "o relatório"). O teste do "ISSO" funciona ("O gerente confirmou ISSO"). Logo, é conjunção integrante.
O item está perfeitamente correto ao descrever as duas naturezas morfossintáticas.
Questão 3
Perfil: FCC — Analista Judiciário (TJ) — Sintaxe do Período (Identificação de oração subordinada substantiva por meio da conjunção integrante).
"É fundamental que os candidatos leiam o edital com atenção."
Enunciado: No período acima, a oração destacada ("que os candidatos leiam o edital com atenção") é classificada como subordinada substantiva subjetiva. A presença da conjunção integrante "que" é o marco inicial dessa oração, que assume a função sintática de:
- a) Objeto direto do verbo "ser".
- b) Sujeito do verbo "ser" (é fundamental).
- c) Complemento nominal do adjetivo "fundamental".
- d) Predicativo do sujeito "candidatos".
- e) Adjunto adnominal do substantivo "edital".
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: B
Análise: A FCC testa o conhecimento sobre a função sintática da oração inteira introduzida pela conjunção integrante. É fundamental lembrar que a conjunção "que" não exerce função sintática; quem exerce é a oração por ela iniciada.
O que é fundamental? Que os candidatos leiam o edital com atenção. A oração inteira atua como o sujeito da oração principal ("É fundamental ISSO"). Portanto, a oração subordinada substantiva é subjetiva, exercendo a função de sujeito do verbo "ser".
A alternativa A é incorreta porque o verbo "ser" (de ligação) não pede objeto direto. A alternativa C seria correta se a frase fosse "Tenho certeza de que...".
Questão 4
Perfil: Vunesp — Escrevente Técnico Judiciário — Sintaxe do Período (Locução conjuntiva integrante).
"Tenho certeza de que a medida será revogada."
Enunciado: Na oração acima, o termo "de que" classifica-se morfossintaticamente como locução conjuntiva integrante. A aplicação do teste do "ISSO" para validar essa classificação resultaria na seguinte reescrita:
- a) "Tenho certeza de isso."
- b) "Tenho certeza disso."
- c) "Tenho certeza que."
- d) "Tenho de que a medida será revogada."
- e) "Tenho certeza na qual a medida será revogada."
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: B
Análise: A Vunesp testa a aplicação do teste do "ISSO" quando a conjunção integrante é uma locução que inclui preposição ("de que").
A oração inteira "que a medida será revogada" completa o substantivo "certeza" (que exige a preposição "de"). Para aplicar o teste do "ISSO", deve-se substituir a oração pelo pronome demonstrativo, combinando a preposição exigida com o pronome: "de" + "isso" = "disso".
A reescrita correta é: "Tenho certeza disso." A alternativa A ("de isso") é gramaticalmente incorreta, pois a forma contraída é obrigatória. A alternativa C comete o erro de suprimir a preposição (erro comum na linguagem coloquial, mas vedado na norma culta).
Questão 5
Perfil: FGV — Auditor Fiscal — Sintaxe do Período (Conjunção integrante "se").
"O fiscal perguntou se o candidato havia trazido o documento."
Enunciado: No período acima, a palavra "se" classifica-se como conjunção integrante. Assinale a alternativa que apresenta a análise morfossintática correta da oração iniciada por essa conjunção.
- a) Oração subordinada substantiva objetiva direta.
- b) Oração subordinada substantiva subjetiva.
- c) Oração subordinada adverbial condicional.
- d) Oração coordenada sindética explicativa.
- e) Oração subordinada substantiva completiva nominal.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: A
Análise: A FGV testa o reconhecimento do "se" como conjunção integrante, função que ele assume ao introduzir orações subordinadas substantivas (especialmente as objetivas diretas).
Aplicando o teste do "ISSO": "O fiscal perguntou ISSO." A substituição é válida, o que confirma que o "se" é conjunção integrante (e não partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito).
Qual a função da oração inteira? O fiscal perguntou o quê? Se o candidato havia trazido o documento. A oração atua como objeto direto do verbo transitivo direto "perguntou". Logo, é oração subordinada substantiva objetiva direta.
A alternativa C é a pegadinha: o "se" também pode ser conjunção subordinativa adverbial condicional (ex: "Se chover, não irei"), mas no contexto da frase (após verbo de declaração/pergunta), é integrante.
Questão 6
Perfil: Cebraspe — Analista de Tribunal — Sintaxe do Período (Distinção entre conjunção integrante e conjunção subordinativa adverbial).
I. É certo que a economia vai crescer.
II. Como a economia vai crescer, o desemprego cairá.
Enunciado: Julgue o item a seguir. Nas orações I e II, as conjunções "que" (I) e "Como" (II) introduzem orações subordinadas substantivas, pois ambas podem ser substituídas pelo pronome "isso" sem perda da coerência gramatical.
- a) Certo.
- b) Errado.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: B (Errado)
Análise: O Cebraspe testa a distinção entre conjunção integrante e conjunção subordinativa adverbial por meio do teste do "ISSO".
Na oração I ("É certo que a economia vai crescer"): O teste do "ISSO" funciona ("É certo ISSO"). O "que" é conjunção integrante e introduz oração subordinada substantiva subjetiva.
Na oração II ("Como a economia vai crescer, o desemprego cairá"): O teste do "ISSO" falha ("ISSO a economia vai crescer, o desemprego cairá" não faz sentido). O "Como" é conjunção subordinativa adverbial causal (ou conformativa, dependendo da interpretação, mas certamente adverbial, não integrante).
O item está errado ao afirmar que ambas introduzem orações substantivas e que ambas aceitam a substituição por "isso". Conjunções adverbiais possuem valor circunstancial e não são substituíveis por pronomes substantivos.
Questão 7
Perfil: FCC — Técnico do MPU — Sintaxe da Oração (Distinção entre "que" integrante e "que" pronome substantivo).
I. Não entendi o que o fiscal disse.
II. Não entendi que o fiscal havia saído.
Enunciado: Nas orações I e II, a palavra "que" assume naturezas morfossintáticas distintas. Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta do "que" em I e em II, respectivamente.
- a) Conjunção integrante e conjunção integrante.
- b) Pronome relativo e pronome relativo.
- c) Pronome substantivo e conjunção integrante.
- d) Conjunção integrante e pronome substantivo.
- e) Pronome relativo e conjunção integrante.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: C
Análise: A FCC testa a identificação do "que" pronome substantivo, uma armadilha frequente.
Na oração I ("Não entendi o que o fiscal disse"): O "que" é precedido pelo artigo "o". Essa estrutura ("o que") equivale a "aquilo que" ou "a coisa que". O "que" exerce função sintática interna (objeto direto de "disse": o fiscal disse a coisa). Logo, é pronome substantivo (ou pronome relativo com antecedente indefinido "o").
Na oração II ("Não entendi que o fiscal havia saído"): O "que" não é precedido de artigo, não retoma antecedente e não exerce função interna. O teste do "ISSO" funciona ("Não entendi ISSO"). Logo, é conjunção integrante.
A presença do artigo antes do "que" é o marco que transforma a conjunção em pronome.
Questão 8
Perfil: Vunesp — Advogado — Sintaxe da Oração (Ausência de função sintática da conjunção integrante).
"Acredita-se que a nova lei trará benefícios."
Enunciado: Na oração acima, muitos analistas iniciantes cometem o erro de classificar o "que" como sujeito do verbo "trará". A análise morfossintática correta, contudo, demonstra que:
- a) O "que" é, de fato, o sujeito do verbo "trará", pois a oração "que a nova lei trará benefícios" é substantiva.
- b) O "que" é pronome relativo e retoma o termo "se" da oração anterior.
- c) O "que" é conjunção integrante e não exerce função sintática; o sujeito de "trará" é "a nova lei".
- d) O "que" é conjunção integrante e exerce a função de sujeito da oração principal.
- e) O "que" é pronome substantivo e equivale a "aquilo que".
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: C
Análise: A Vunesp testa o conhecimento sobre a ausência de função sintática da conjunção integrante.
Na oração "Acredita-se que a nova lei trará benefícios", o "que" é conjunção integrante. Como toda conjunção, é palavra invariável que apenas liga orações, não exercendo função sintática (não é sujeito, não é objeto).
Qual é o sujeito de "trará"? A nova lei trará benefícios. O sujeito é "a nova lei". A oração inteira ("que a nova lei trará benefícios") é que funciona como sujeito do verbo "acredita-se" (oração subordinada substantiva subjetiva).
A alternativa A repete o erro conceitual de atribuir função ao conectivo. A alternativa B confunde com pronome relativo.
Questão 9
Perfil: FGV — Jornalista — Sintaxe do Período (Reescrita com manutenção da conjunção integrante).
"O diretor duvida de que a equipe cumpra o prazo."
Enunciado: Assinale a alternativa que apresenta reescrita da oração acima mantendo a presença da conjunção (ou locução conjuntiva) integrante e a correção gramatical, alterando apenas o verbo da oração principal.
- a) "O diretor tem certeza que a equipe cumprirá o prazo."
- b) "O diretor tem certeza de que a equipe cumprirá o prazo."
- c) "O diretor tem a certeza a equipe cumprirá o prazo."
- d) "O diretor tem certeza em que a equipe cumprirá o prazo."
- e) "O diretor tem certeza da equipe que cumprirá o prazo.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: B
Análise: A FGV testa a regência do verbo "duvidar" e a manutenção da conjunção integrante.
O verbo "duvidar" é transitivo indireto e exige a preposição "de". Na frase original, a locução conjuntiva integrante é "de que".
A locução conjuntiva integrante é "de que" (exigida pelo substantivo "certeza"). A alternativa B mantém a preposição "de" e a conjunção "que", formando a locução integrante correta. A alternativa A comete o erro de suprimir a preposição. A alternativa E transforma o "que" em pronome relativo.
Questão 10
Perfil: Cebraspe — Analista de Finanças e Controle — Sintaxe do Período (Análise completa de período com conjunção integrante).
"Constata-se que os investimentos aumentaram."
Enunciado: Julgue o item a seguir. No período acima, a palavra "que" é conjunção integrante. A oração por ela iniciada ("que os investimentos aumentaram") classifica-se como subordinada substantiva subjetiva, exercendo a função de sujeito do verbo "constata-se".
- a) Certo.
- b) Errado.
Ver gabarito e análise detalhada
Gabarito: A (Certo)
Análise: O Cebraspe testa a análise morfossintática completa de um período com conjunção integrante.
1. Classificação do "que": O "que" não retoma antecedente, não exerce função interna (o sujeito de "aumentaram" é "os investimentos") e a oração inteira pode ser substituída por "ISSO" ("Constata-se ISSO"). Logo, é conjunção integrante.
2. Classificação da oração: O que se constata? Que os investimentos aumentaram. A oração inteira atua como sujeito do verbo na voz passiva sintética "constata-se" (Equivale a "É constatado que os investimentos aumentaram"). Logo, é oração subordinada substantiva subjetiva.
O item está perfeitamente correto em todas as suas afirmações.