Teoria da Coesão e Coerência: Fatores de Textualidade ACI IBGE 2026

📌 CÓDIGO DA BANCA

  • Confusão entre Coesão e Coerência: A banca apresenta um texto gramaticalmente ligado (coesão), mas semanticamente absurdo (incoerente). Ex: "O médico atropelou o paciente para salvar sua vida." (Há pronomes e conectivos, mas a lógica é nula).
  • A Armadilha da Polissemia dos Conectivos: O conectivo "como" pode ser causal, comparativo ou conformativo. A banca exige que você identifique o valor semântico exato pelo contexto, não pela memorização de listas.
  • Anáfora vs. Catáfora: A banca inverte a ordem da referência. Se o pronome vem antes do termo, é catáfora (progressivo); se vem depois, é anáfora (retrospectivo). O erro clássico é marcar anáfora quando o texto aponta para frente.
  • Intertextualidade "Invisível": A banca cobra o reconhecimento de que a intertextualidade só existe se o receptor possuir o repertório para decodificá-la. Se o leitor não conhece a referência, o fator de textualidade falha na prática.

A análise de um texto sob a ótica de concursos públicos exige o abandono da intuição literária e a adoção de uma visão estruturalista e funcional. Um texto não é um aglomerado de frases; é um organismo regido por Fatores de Textualidade. Sem a presença simultânea desses fatores, temos apenas uma sequência de orações, não um texto. O foco da investigação recai sobre como as bancas manipulam a ruptura desses fatores para gerar a alternativa incorreta.


1. O SISTEMA DE FATORES DE TEXTUALIDADE

Para que uma sequência linguística seja classificada como "texto", ela deve satisfazer condições específicas, divididas em dois eixos operacionais: Internos (estruturais/linguísticos) e Externos (pragmáticos/contextuais).

1.1. Fatores Internos: A Engrenagem Linguística

São os mecanismos visíveis na superfície textual que garantem a ligação entre os elementos.

  • Coesão: É a conexão gramatical e lexical. Refere-se à forma. Envolve o uso de pronomes, conjunções, sinônimos e elipses que costuram as orações e parágrafos. É o "cimento" do texto.
  • Coerência: É a conexão lógica e semântica. Refere-se ao sentido. Envolve a não contradição, a progressão temática e a plausibilidade das ideias dentro de um mundo possível. É a "arquitetura" do texto.

Regra de Ouro: Um texto pode ser coeso sem ser coerente (ex: "A pedra decidiu votar no candidato porque a gravidade é azul." — há pronomes e conectivos, mas o sentido é nulo). Um texto coerente pode ter falhas de coesão e ainda ser compreendido, mas em provas, busca-se a excelência de ambos.

1.2. Fatores Externos (Pragmáticos): O Contexto de Produção

São elementos que não estão necessariamente escritos, mas que pairam sobre o texto, definindo sua validade social e comunicativa.

  • Intencionalidade: Refere-se ao emissor. Qual o objetivo? Convencer, informar, ordenar? A falta de clareza no objetivo gera um texto sem foco. A banca cobra a identificação do tipo textual (narração, dissertação, descrição) com base nessa intenção.
  • Aceitabilidade: Refere-se ao receptor. O texto deve ser aceito como válido pelo interlocutor. Envolve a adequação ao nível de linguagem e às expectativas do público-alvo. Um texto técnico para leigos falha na aceitabilidade.
  • Situacionalidade: Refere-se ao contexto de situação. O texto deve ser pertinente ao momento e local em que é produzido. Um aviso de "Perigo: Cão Bravo" faz sentido em um portão, mas é incoerente em um livro de poesia.
  • Informatividade: Refere-se ao grau de novidade.
    • Informatividade baixa: Texto redundante, óbvio, tautológico (ex: "Água é um líquido molhado."). Gera desinteresse.
    • Informatividade alta: Texto excessivamente complexo, técnico ou criptico, sem âncoras prévias. Gera incompreensão.
    • Equilíbrio: O texto ideal traz informações novas conectadas a conhecimentos prévios do leitor.
  • Intertextualidade: Refere-se ao diálogo entre textos. Ocorre quando um texto faz referência a outro (citação, paródia, paráfrase, epígrafe).

    Atenção à Pegadinha: A intertextualidade não é um fato objetivo, mas subjetivo. Se o leitor não possui o repertório para reconhecer a referência (ex: uma alusão a Machado de Assis), o efeito de sentido não ocorre. A banca pode afirmar que "há intertextualidade" em um texto onde o leitor-alvo não a percebe, tornando a questão anulável ou dependente do gabarito oficial.


2. COESÃO REFERENCIAL: O SISTEMA DE APONTAMENTO (ENDÓFORA E EXÓFORA)

A coesão referencial é o mecanismo pelo qual um termo no texto aponta para outro elemento, evitando a repetição e garantindo a progressão. A banca examina se o candidato sabe para onde o pronome ou expressão está olhando e qual a direção desse apontamento.

2.1. Endófora: Referência Interna ao Texto

Ocorre quando o termo remete a algo que está dentro da própria sequência textual. Divide-se em dois vetores opostos:

  • Anáfora (Vetor Retrospectivo): O pronome ou expressão retoma um termo já citado anteriormente.

    Nível de Cobrança: 🔴 Altíssima. O Cebraspe e a FGV adoram inverter a ordem da frase ou usar pronomes oblíquos para confundir o candidato sobre quem praticou a ação ou qual substantivo foi retomado.

    "O médico atendeu a criança porque ela estava febril." (O pronome "ela" retoma "a criança" via anáfora).

    "O pagamento, não se deve esperá-lo para tão cedo." (O sufixo "-lo" retoma "o pagamento").

  • Catáfora (Vetor Progressivo): O pronome ou expressão antecipa um termo que será dito posteriormente.

    Nível de Cobrança: 🟡 Média. A banca utiliza a catáfora para criar ênfase, e a questão cobra o valor semântico desse apontamento para o futuro do texto.

    "Só queremos isto: uma boa semana." (O pronome "isto" antecipa "uma boa semana" via catáfora).

    "Arquivamos todos os documentos, com exceção deste: folha de declaração de bens." ("Deste" antecipa a exemplificação).

2.2. Exófora (Deixis): Referência Externa ao Texto

Ocorre quando o termo remete a elementos da situação comunicativa (espaço, tempo, pessoas do discurso) e não ao texto em si. São os pronomes pessoais (você, tu), demonstrativos (este, esse, aquele) e advérbios (aqui, ali, agora, amanhã) usados fora do contexto de retomada textual.

Palavra de Ruptura: Fora do texto / Na situação.

"Você assinou o documento hoje?" ("Você" e "hoje" não remetem a palavras anteriores, mas ao contexto real da enunciação, ao interlocutor e ao momento da fala).

Armadilha da Banca: O Cebraspe afirma que um pronome demonstrativo tem "valor anafórico" quando, na verdade, está sendo usado dêitico (exóforo) para apontar para o contexto extratextual. A substituição de "este" por "aquele" altera a distância espacial ou temporal em relação ao emissor, não a coesão interna.

2.3. Elipse: A Omissão Identificável

É o apagamento de um termo (sujeito, verbo, objeto) que pode ser recuperado pelo contexto sem prejuízo da coesão. A elipse é um recurso de economia linguística e fluidez, essencial para evitar repetições viciosas.

Nível de Cobrança: 🔴 Altíssima. A FCC e a FGV cobram a identificação do sujeito oculto/elíptico para verificar ambiguidade, correção gramatical ou concordância verbal.

"As rosas florescem em maio; as margaridas, [florescem] em agosto." (Elipse do verbo "florescem").

Regra de Ouro: A elipse só é válida se a recuperação for inequívoca. Se a omissão gerar dúvida sobre quem pratica a ação, há erro de coesão e coerência (ambiguidade).


3. COESÃO LEXICAL, SUBSTITUIÇÃO E PARÁFRASE

Enquanto a coesão referencial usa pronomes e elipses, a coesão lexical utiliza o repertório vocabular (sinônimos, hiperônimos, expressões resumitivas) para retomar ideias, garantindo a progressão semântica sem a repetição exata.

3.1. Substituição Nominal e Verbal

Ocorre quando um substantivo, verbo ou oração inteira é trocado por um termo equivalente ou uma expressão resumitiva.

  • Substituição Nominal: Uso de sinônimos, hiperônimos ou expressões metafóricas.

    "Jonas e Marcos chegaram. Os rapazes foram jantar." ("Os rapazes" substitui "Jonas e Marcos" por hiperonímia/expressão resumitiva).

    Referenciação Metafórica: A banca pode cobrar o uso de metáforas como coesão lexical. No texto do PDF, o termo "casa" é retomado por "refúgio" e "templos". Não são sinônimos diretos do dicionário, mas operam a coesão por associação semântica e subjetiva no contexto do texto.

  • Substituição Verbal: Uso de verbos auxiliares, advérbios ou expressões que retomam a ação.

    "Encontrei bons livros na biblioteca. Você os quer para estudar?" (O pronome "os" substitui "bons livros", evitando a repetição).

3.2. Paráfrase: A Intertextualidade das Semelhanças

A paráfrase é a reformulação de um texto ou ideia com outras palavras, mantendo a essência semântica (o sentido original). É um dos alvos mais frequentes em provas de interpretação e reescrita de frases.

Regra Inquebrável: Na paráfrase, não se pode acrescentar informações novas que alterem o escopo original, nem omitir restrições que mudem a lógica da frase, nem inverter relações de causa e consequência.

Marcadores de Paráfrase: O texto utiliza conectivos explicativos ou retificadores para introduzir a paráfrase: "Ou melhor, ou seja, isto é, quer dizer, aliás".

"A fênix não morre nunca. Ou melhor, morre muitas vezes..." (O marcador "Ou melhor" introduz a paráfrase/explicação do que foi dito, ajustando o sentido).

Armadilha da Banca (Engenharia Reversa): A banca apresenta uma alternativa que parece uma paráfrase, mas insere uma generalização indevida ou altera o grau de certeza. Exemplo do PDF: "Você pode fechar um grande negócio sem uma boa propaganda." Parafarsear como "Seu negócio irá à falência se não tiver propaganda" é incorreto, pois: 1. Altera a probabilidade ("pode") para certeza ("irá à falência"); 2. Generaliza "boa propaganda" para qualquer "propaganda"; 3. Introduz o conceito de "falência" que não estava no escopo original.


4. COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO, ELIPSE E REFERENCIAÇÃO META FÓRICA

A coesão não se limita a pronomes. Ela opera através da manipulação do léxico e da omissão estratégica de termos, exigindo do candidato a capacidade de rastrear a cadeia de sentidos sem a repetição literal.

4.1. Substituição Lexical e Nominal

Ocorre quando substantivos, verbos ou trechos inteiros são substituídos por conectivos, sinônimos, hiperônimos ou expressões resumitivas que remetam ao que já foi dito. O objetivo é evitar a repetição viciosa e garantir a fluidez.

Nível de Cobrança: 🔴 Altíssima. A FGV e o Cebraspe cobram a identificação exata do termo substituído, frequentemente inserindo distratores que parecem semanticamente próximos, mas que quebram a referência original.

"Jonas e Marcos chegaram do trabalho. Os rapazes foram jantar." (A expressão "Os rapazes" substitui "Jonas e Marcos" via hiperonímia, mantendo a coesão anafórica).

Palavra de Ruptura: Substitui / Retoma / Evita repetição.

4.2. Elipse: A Omissão Recuperável

Recurso em que ocorre a omissão de um termo da frase (sujeito, verbo, objeto) que pode ser facilmente subentendido pelo contexto imediato. A elipse é um mecanismo de economia linguística que não prejudica a compreensão, desde que a recuperação seja inequívoca.

"As rosas florescem em maio; as margaridas, [florescem] em agosto." (Elipse do verbo "florescem" na segunda oração, recuperado pela estrutura paralela da primeira).

Armadilha da Banca: A banca afirma que há "erro de coesão" ou "ambiguidade" quando a elipse é, na verdade, gramaticalmente válida e contextualmente clara. O candidato deve verificar se o termo omitido é o único logicamente possível.

4.3. Referenciação Metafórica

Trata-se do uso de palavras com significado subjetivo ou figurado para retomar um termo denotativo, estabelecendo uma comparação implícita. Não são sinônimos de dicionário, mas operam a coesão por associação semântica dentro do universo do texto.

Nível de Cobrança: 🟡 Média. Cobrada em provas que exigem interpretação fina da progressão temática.

"Edificamos nossas casas para nos retirar... para nos aconchegarmos durante a noite em nossos refúgios." / "Verdadeiros templos convidativos à elevação da consciência humana." (Os termos "refúgios" e "templos" são referenciações metafóricas da palavra "casa", retomando o conceito com carga valorativa de proteção e sacralidade, respectivamente).


5. COESÃO SEQUENCIAL: OPERADORES ARGUMENTATIVOS E CONECTIVOS

Os conectivos (conjunções, advérbios, preposições, locuções) são os operadores sequenciais que ligam orações e parágrafos, estabelecendo relações lógicas explícitas. A banca não cobra a memorização cega de listas, mas a identificação do valor semântico do conectivo no contexto específico da frase.

5.1. Classificação Lógica e a Armadilha da Polissemia

Um mesmo conectivo pode assumir valores diferentes. A banca inverte a classificação para gerar a alternativa incorreta.

  • Aditivas: Adição de argumentos. "e", "nem", "não só... mas também", "além disso".
  • Adversativas: Oposição, contraste, quebra de expectativa. "mas", "porém", "contudo", "entretanto", "todavia", "no entanto".
  • Conclusivas: Fechamento lógico, consequência. "logo", "portanto", "assim", "então", "por conseguinte".
  • Explicativas vs. Causais: A armadilha clássica do "pois".
    • Explicativo (antes do verbo): "Não saia, pois vai chover."
    • Causal (depois do verbo): "Não saia, vai chover, pois o céu está escuro."
  • Conformativas vs. Comparativas: A armadilha clássica do "como".
    • Comparativo: "Ela era sozinha como sua mãe."
    • Conformativo: "Conforme estava escrito, não abrimos ontem." / "Como previsto, o resultado foi aprovado."

5.2. Operadores de Inclusão e Exclusão

A banca altera o escopo da frase trocando um operador de inclusão por um de exclusão, invertendo totalmente o sentido lógico.

  • Inclusão: "inclusive", "também", "mesmo", "ainda", "até", "além disso".

    "Convidei seu irmão para a festa; também a esposa dele."

  • Exclusão: "exclusive", "menos", "exceto", "fora", "salvo", "senão", "sequer", "somente", "apenas".

    "Convidei seu irmão para a festa; apenas ele."

Palavra de Ruptura: Salvo / Exceto / Somente. A presença destes termos restringe a generalização feita na oração anterior.


6. COERÊNCIA TEXTUAL: PRINCÍPIOS LÓGICOS E PROGRESSÃO TEMÁTICA

A coerência é a macroestrutura semântica do texto. Enquanto a coesão lida com a superfície gramatical, a coerência exige que as ideias obedeçam a leis lógicas universais e a um fluxo informativo progressivo. A banca examina a quebra dessas leis para classificar um texto como incoerente.

6.1. Princípio da Não Contradição vs. Contraponto

Um texto coerente não pode afirmar e negar a mesma proposição simultaneamente sob o mesmo aspecto. Deve-se manter um único caminho argumentativo.

Armadilha da Banca: A banca confunde contradição (erro lógico que enfraquece a argumentação) com contraponto (estratégia argumentativa válida). No contraponto, o autor introduz uma ideia oposta apenas para refutá-la em seguida, fortalecendo sua própria tese. Na contradição, o autor se contradiz sem refutação, gerando confusão.

"A energia solar é a solução definitiva para a crise energética, embora seus custos iniciais sejam elevados, o retorno a longo prazo é inquestionável." (Contraponto válido: introduz objeção para refutá-la).

"A energia solar é a solução definitiva. Porém, ela não resolve nada e é totalmente ineficaz." (Contradição flagrante: anula a tese inicial sem estratégia).

6.2. Princípio da Não Tautologia (Redundância)

Admite a não redundância de informações. Repetir a mesma ideia com palavras diferentes ou acumular termos com o mesmo valor semântico gera vício de linguagem e quebra a coerência por excesso de informação inútil.

Nível de Cobrança: 🔴 Altíssima. A FGV e a FCC adoram cobrar pleonasmos viciosos em questões de reescrita ou identificação de erro.

"Visitamos o Canadá há cinco anos atrás." (Incoerente: "há" já indica tempo passado, "atrás" é redundante).

"Subir para cima", "elo de ligação", "protagonista principal." (Tautologias clássicas).

6.3. Princípio da Relevância e Sequência Lógica

As ideias devem estar intrinsecamente relacionadas. A apresentação fragmentada ou a inversão da ordem cronológica/causal dos fatos destrói a inteligibilidade da mensagem.

"O homem estava com muita fome, mas não tinha dinheiro na carteira. Por isso, foi ao banco, sacou uma quantia e, em seguida, foi a um restaurante almoçar." (Coerência correta: causa → ação → consequência lógica).

"O homem estava com muita fome, mas não tinha dinheiro na carteira. Foi a um restaurante almoçar e, em seguida, foi ao banco sacar uma quantia." (Coerência incorreta: a ação de almoçar antes de sacar o dinheiro, sem dinheiro na carteira, quebra a lógica causal).

6.4. Progressão Temática: Eixos Tema e Rema

O texto deve avançar apresentando novas informações sobre aquilo de que se fala. Essa dinâmica é estruturada em dois eixos:

  • Tema (Tópico): A base da comunicação, aquilo de que se fala, informação já conhecida ou inferível pelo contexto.
  • Rema (Comentário): A informação nova que é introduzida sobre o tema.

Tipos de Progressão:

  • Progressão Linear: O rema de uma frase torna-se o tema da frase seguinte. "A empresa lançou um novo produto. Esse produto revolucionou o mercado. O mercado reagiu com euforia."
  • Tema Constante: O mesmo tema se mantém em sucessivas frases, recebendo novos remas. "O candidato estudou muito. Ele fez todas as simulados. O candidato está confiante."

Palavra de Ruptura: Desvio temático. Se o texto aborda "futebol" e repentinamente inicia um bloco sobre "basquete" sem uma ponte argumentativa, há ruptura da unidade temática e perda de coerência.


7. MODALIZADORES DISCURSIVOS E SUBJETIVIDADE

Modalizadores são elementos (geralmente advérbios ou locuções adverbiais) que indicam o ponto de vista, o estado emocional ou o grau de certeza do enunciador em relação ao conteúdo da mensagem. Eles são a marca da subjetividade no texto.

Nível de Cobrança: 🟡 Média. A banca cobra a classificação do modalizador ou a alteração de sentido que sua remoção/substituição provoca no texto.

7.1. Classificação dos Modalizadores

  • Modalização Epistêmica: Indica uma análise sobre o valor de verdade do que é dito.
    • Asseverativos (afirmação): "Certamente, este é o caminho."
    • Quase asseverativos (dúvida/relativização): "Provavelmente, ela estava certa."
    • Delimitadores (modo/limite): "Humanamente falando, seria impossível."
  • Modalização Deôntica: Indica obrigatoriedade ou necessidade.

    "É uma escolha que deve ser feita necessariamente."

  • Modalização Persuasiva: Advérbios de intensidade com objetivo de convencer o interlocutor da verdade do enunciado.

    "É extremamente necessário cortar gastos."

  • Modalização Afetiva: Indica a emoção ou julgamento de valor do falante.

    "Felizmente, o jogador errou o pênalti." / "Infelizmente, deixamos de lado essa sabedoria."

  • Advérbios Focalizadores: Realçam ou delimitam uma expressão específica na frase.

    "Ele chegou tarde, mais especificamente às três da manhã."

Regra de Ouro: A remoção de um modalizador afetivo ou epistêmico transforma um enunciado subjetivo em objetivo (verificável). A banca pode perguntar: "A supressão do termo 'infelizmente' altera a objetividade do texto?" Resposta: Sim, torna-o mais impessoal.


8. MAPA MENTAL: SISTEMA DE TEXTUALIDADE

  • FATORES DE TEXTUALIDADE
    • Internos (Estruturais)
      • Coesão (Forma / Ligação Gramatical e Lexical)
        • Referencial: Anáfora (retrospectiva), Catáfora (progressiva), Exófora/Dêixis (situacional).
        • Substituição: Lexical, Nominal, Verbal, Elipse (omissão recuperável).
        • Sequencial: Operadores argumentativos (Aditivos, Adversativos, Conclusivos, Causais, Conformativos, etc.).
      • Coerência (Sentido / Lógica Semântica)
        • Não Contradição (manutenção do ponto de vista, distinção entre contradição e contraponto).
        • Não Tautologia (ausência de redundância e pleonasmo vicioso).
        • Relevância (encadeamento lógico e pertinência das ideias).
        • Progressão Temática (articulação dinâmica entre Tema e Rema).
    • Externos (Pragmáticos)
      • Intencionalidade (foco no emissor e no objetivo do texto).
      • Aceitabilidade (foco no receptor e na adequação ao seu repertório).
      • Situacionalidade (contexto de produção e recepção).
      • Informatividade (equilíbrio entre conhecimento prévio e novidade).
      • Intertextualidade (diálogo entre textos, dependente da decodificação pelo leitor).

9. CONCLUSÃO

A análise de textualidade em concursos públicos não é um exercício de interpretação literária ou intuição, mas de engenharia reversa lógica. O texto é um sistema fechado de regras onde cada pronome, conectivo e modalizador possui uma função estrutural específica e mensurável.

Para neutralizar as armadilhas da banca, o candidato deve operar com base em três verificações cirúrgicas:

  1. Rastreamento de Referência: O pronome ou termo retomado aponta inequivocamente para um antecedente (anáfora) ou consequente (catáfora) sem gerar ambiguidade ou exófora indevida?
  2. Validação Lógica: A progressão temática mantém o eixo Tema-Rema sem introduzir contradições, tautologias ou desvios de relevância?
  3. Controle de Subjetividade: O registro (especialmente em redação oficial) elimina modalizadores afetivos e mantém a impessoalidade e a concisão (eliminação do supérfluo, e não apenas brevidade)?

Dominar esses mecanismos transforma a "interpretação de texto" de um campo subjetivo e nebuloso em um processo algorítmico de identificação de padrões, isolamento de variáveis e detecção de ruptura de regras.

rico

Bacharel em administração, especialização em gestão financeira, gestão governamental, perito em contabilidade, analista de investimento e especialista em mercado financeiro.

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