Pronomes Demonstrativos e Indefinidos: Função Deítica e Noção de Indeterminação

A coesão textual e a precisão referencial dependem diretamente do emprego adequado das classes pronominais. Enquanto os pronomes demonstrativos situam os seres no espaço, no tempo ou no discurso em relação aos interlocutores, os indefinidos expressam quantidades e identidades de forma imprecisa. O domínio dessas categorias exige atenção às variações de pessoa, gênero e número, bem como à distinção rigorosa entre formas variáveis e invariáveis.

Pronomes Demonstrativos e a Localização Referencial

Os pronomes demonstrativos indicam a posição dos seres e objetos em relação às pessoas do discurso. Essa localização pode ocorrer no espaço físico, na linha do tempo ou na própria estrutura do texto, configurando o que a linguística chama de função deítica.

Deixis Espacial e as Pessoas do Discurso

A referência espacial estabelece a proximidade ou o afastamento do objeto em relação à pessoa que fala (1ª pessoa) ou à pessoa com quem se fala (2ª pessoa).

Formas da 1ª pessoa (próximo de quem fala): este, esta, estes, estas, isto. Exemplo: Este papagaio que apitou está ao meu lado.

Formas da 2ª pessoa (próximo de quem ouve): esse, essa, esses, essas, isso. Exemplo: Esse papagaio está perto de você.

Formas da 3ª pessoa (distante de ambos): aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. Exemplo: Aquele papagaio voou para longe de nós.

Deixis Temporal e Discursiva

Além do espaço, os demonstrativos situam o tempo e os elementos do texto. No tempo, "este" refere-se ao presente (este ano), "esse" ao passado recente ou intermediário, e "aquele" a um passado distante.

No discurso, a função é fundamental para a coesão referencial. O pronome "este" (e suas variações) retoma o que ainda será dito (catáfora) ou apresenta um novo tópico. O pronome "esse" (e suas variações) retoma um termo ou ideia já mencionados anteriormente (anáfora).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Referenciação discursiva (anáfora e catáfora). Por que é cobrado: Bancas como FGV e Cebraspe exploram a interpretação de textos para verificar se o candidato identifica o referente exato de um pronome. A pegadinha clássica ocorre em textos longos, onde o examinador insere um "esse" referindo-se a um parágrafo anterior, e o candidato desatento tenta relacioná-lo a uma informação posterior. A distinção entre "este" (o que vai ser dito) e "esse" (o que já foi dito) é um filtro rigoroso de competência textual.

Formas Variáveis e Invariáveis

Os pronomes demonstrativos dividem-se morfologicamente em variáveis e invariáveis.

As formas variáveis (este/esta/estes/estas, esse/essa/esses/essas, aquele/aquela/aqueles/aquelas) flexionam em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural), acompanhando o substantivo a que se referem.

As formas invariáveis (isto, isso, aquilo) não sofrem flexão. São utilizadas quando não há um substantivo nuclear para acompanhar, atuando frequentemente como núcleo do sujeito ou do objeto direto.

Pronomes Indefinidos e a Quantificação Vaga

Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de modo vago, impreciso ou indeterminado, expressando uma quantidade desconhecida ou uma identidade não especificada.

Definição e Função Semântica

Essa classe pronominal introduz a noção de imprecisão, seja para indicar uma quantidade aproximada, seja para ocultar ou ignorar o agente de uma ação.

Exemplo: Alguém apitou durante o jogo. (A identidade de quem apitou é desconhecida ou irrelevante para o foco da oração).

Classificação Morfológica: Variáveis e Invariáveis

A divisão entre variáveis e invariáveis dita as regras de concordância nominal e verbal.

Pronomes indefinidos variáveis flexionam em gênero e número. Incluem: algum/alguma/alguns/algumas, nenhum/nenhuma/ nenhuns/nenhumas, outro/outra/outros/outras, todo/toda/todos/todas, muito/muita/muitos/muitas, pouco/pouca/poucos/poucas, certo/certa/certos/certas, tanto/tanta/tantos/tantas.

Exemplo: Algumas maçãs já estão maduras.

Pronomes indefinidos invariáveis mantêm a mesma forma independentemente do contexto. A norma gramatical consolida como invariáveis: alguém, algo, ninguém, nada, tudo, cada.

Exemplo: Ninguém viajará amanhã. (O pronome não varia para "ninguéns", mesmo que a ideia seja plural).

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Concordância e classificação dos invariáveis. Por que é cobrado: Questões de reescrita e correção gramatical exigem que o candidato não trate pronomes invariáveis como variáveis. A armadilha frequente é a tentativa de pluralizar "cada" (ex: "cada pessoas" em vez de "cada pessoa") ou confundir a flexão de "nenhum" (que varia: nenhuma, nenhuns) com a de "ninguém" (que é invariável). A banca testa o conhecimento da tabela morfológica e a aplicação prática na sintaxe.

Valor Semântico e Exceções de Sentido

Os indefinidos podem ter valor positivo (algum, certo), negativo (nenhum, ninguém, nada) ou totalizador (todo, tudo).

No valor negativo, a língua portuguesa padrão exige a dupla negação quando o pronome antecede o verbo ou quando há outro advérbio de negação. Exemplo: Não vi ninguém. (Correto) / Vi ninguém. (Incorreto na norma-padrão).

No valor totalizador, o pronome "todo" altera seu significado dependendo da presença do artigo definido.

Exemplo 1: Todo dia chove. (Significa "qualquer dia", "todos os dias", noção de repetição).

Exemplo 2: Todo o dia choveu. (Significa "o dia inteiro", noção de totalidade de um período específico).

🟢 [BAIXA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Distinção semântica de "todo" com e sem artigo. Por que é cobrado: Embora apareça em provas de alto nível, a cobrança é mais sutil, focada na interpretação de texto do que na regra gramatical isolada. A questão pede para identificar se a frase expressa uma rotina (todo dia) ou a duração integral de um evento (todo o dia).

Mapa Mental: Pronomes Demonstrativos e Indefinidos

  • Pronomes Demonstrativos (Localização Referencial)
    • Deixis Espacial
      • 1ª pessoa (perto de mim): este, esta, estes, estas, isto.
      • 2ª pessoa (perto de você): esse, essa, esses, essas, isso.
      • 3ª pessoa (longe de ambos): aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo.
    • Deixis Temporal e Discursiva
      • Temporal: este (presente), esse (passado), aquele (passado distante).
      • Discursiva: este (catáfora - o que será dito), esse (anáfora - o que já foi dito).
      • 🔴 Altíssima importância: Identificação de referentes em textos (anáfora/catáfora).
    • Morfologia
      • Variáveis: Flexionam em gênero e número (este/esta/estes/estas).
      • Invariáveis: isto, isso, aquilo.
  • Pronomes Indefinidos (Noção de Indeterminação)
    • Função Semântica
      • Referem-se à 3ª pessoa de modo vago, impreciso ou quantitativamente desconhecido.
    • Morfologia
      • Variáveis: algum, nenhum, outro, todo, muito, pouco, certo, tanto (flexionam em gênero e número).
      • Invariáveis: alguém, algo, ninguém, nada, tudo, cada.
      • 🟡 Alta/Média importância: Evitar pluralização de invariáveis (ex: "cada pessoas") e confundir "nenhum" com "ninguém".
    • Valor Semântico e Sintaxe
      • Negativos: Exigem dupla negação se pospostos ao verbo (Não vi ninguém).
      • Totalizadores: "todo" + substantivo = qualquer/repetição; "todo o" + substantivo = inteireza/duração.
      • 🟢 Baixa importância: Distinção semântica de "todo" com ou sem artigo em provas de interpretação.

Conclusão

O domínio dos pronomes demonstrativos e indefinidos é um pilar para a construção de textos coesos e sintaticamente impecáveis. A capacidade de rastrear referentes discursivos através da deixis anafórica e catafórica separa a leitura superficial da análise textual rigorosa, enquanto o respeito à morfologia dos indefinidos invariáveis previne erros de concordância que comprometem a norma-padrão. Na prática avaliativa, a atenção deve ser redobrada na identificação do referente exato de pronomes demonstrativos em parágrafos complexos e na aplicação estrita das formas invariáveis, evitando a tentação de pluralizar termos como "cada" ou "ninguém".

rico

Bacharel em administração, especialização em gestão financeira, gestão governamental, perito em contabilidade, analista de investimento e especialista em mercado financeiro.

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