Pronomes Possessivos: Flexão, Concordância e Ambiguidade Referencial

Os pronomes possessivos estabelecem relações de pertinência, posse ou vínculo afetivo entre as pessoas do discurso e os seres ou objetos a que se referem. A aplicação normativa dessa classe exige o domínio das regras de concordância nominal e o reconhecimento das armadilhas ambíguas, especialmente no que tange à terceira pessoa do singular e do plural na língua portuguesa contemporânea.

Classificação e Flexão Morfológica

A morfologia dos pronomes possessivos reflete a pessoa gramatical do possuidor, enquanto a flexão de gênero e número é determinada pelo objeto possuído. A distribuição das formas varia conforme a pessoa do discurso a que se vincula o possuidor.

Primeira e Segunda Pessoas

As formas da primeira pessoa indicam posse ou vínculo em relação àquele que fala (singular) ou àquele que fala e seus associados (plural). As formas da segunda pessoa referem-se àquele com quem se fala (singular) ou àquele com quem se fala e seus associados (plural).

Primeira pessoa: meu, minha (singular); meus, minhas (plural). nosso, nossa (singular); nossos, nossas (plural).

Segunda pessoa: teu, tua (singular); teus, tuas (plural). vosso, vossa (singular); vossos, vossas (plural).

Nota de uso: No português brasileiro contemporâneo, as formas da segunda pessoa do plural (vosso, vossa) caíram em desuso na linguagem cotidiana, sendo substituídas por "seu, sua" ou por construções com "de vocês".

Terceira Pessoa e a Ambiguidade do "Seu"

A forma possessiva da terceira pessoa é "seu, sua" (singular) e "seus, suas" (plural). Pela norma-padrão, esses pronomes devem referir-se exclusivamente à terceira pessoa do discurso (ele, ela, eles, elas).

Exemplo normativo: O aluno entregou sua prova. (A prova pertence ao aluno).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Ambiguidade referencial do pronome "seu". Por que é cobrado: A língua portuguesa brasileira consagrou o uso de "seu" como pronome de tratamento para a segunda pessoa (você). Isso gera um conflito entre a sintaxe normativa e o uso coloquial, criando ambiguidade em textos com múltiplos sujeitos de terceira pessoa. COMO cai: Questões de coesão e coerência textual apresentam frases como "João encontrou Pedro e cumprimentou seu pai", exigindo que o candidato identifique a quem o pronome se refere (ao pai de João ou de Pedro?) e proponha a reescrita para eliminar a ambiguidade.

Formas de Desambiguação: O Papel de "Dele" e "Dela"

Materiais didáticos básicos frequentemente agrupam "dele, dela, deles, delas" na tabela de pronomes possessivos devido à sua função semântica de indicar posse. Contudo, a Nomenclatura Gramatical Brasileira classifica-os morfologicamente como contrações da preposição "de" com os pronomes pessoais retos ou oblíquos tônicos "ele" e "ela".

Sua utilização é a estratégia normativa padrão para resolver a ambiguidade do pronome "seu".

Resolução da ambiguidade: "João encontrou Pedro e cumprimentou o pai dele." (Fica claro que é o pai de Pedro. Se fosse o de João, usar-se-ia "o próprio pai" ou repetiria-se o nome).

Concordância Nominal e Funções Sintáticas

A posição do pronome possessivo na oração e sua relação com o substantivo determinam sua função sintática e as regras de concordância aplicáveis.

Regra de Concordância com o Objeto Possuído

O pronome possessivo concorda obrigatoriamente em gênero e número com o substantivo que ele modifica (o objeto possuído), e não com o possuidor.

Exemplo: As minhas mãos estão frias. (O pronome "minhas" está no feminino plural para concordar com "mãos", independentemente de o possuidor ser homem ou mulher).

Exemplo: Os meus irmãos chegaram. (O pronome "meus" está no masculino plural para concordar com "irmãos").

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Concordância nominal do possessivo. Por que é cobrado: Avalia a atenção do candidato à regra de que o possessivo espelha o objeto, não o sujeito. COMO cai: Em questões de correção gramatical ou reescrita, a banca insere um possuidor de gênero diferente do objeto possuído para testar se o candidato manterá a concordância com o objeto. Exemplo: "A diretora entregou os seus documentos" (Correto, concorda com documentos) versus "A diretora entregou sua documentos" (Incorreto).

Uso Substantivo e Valores Semânticos Adicionais

Os pronomes possessivos podem exercer função substantiva, substituindo integralmente o núcleo nominal quando o contexto permite a elipse do substantivo.

Exemplo: O meu carro quebrou. O seu também? ("O seu" substitui "O seu carro").

Além da posse, os possessivos assumem outros valores semânticos na norma-padrão:

Valor afetivo ou enfático: Anteposição do artigo definido ao possessivo para expressar intimidade ou ênfase. Exemplo: "A minha mãe" em vez de apenas "Minha mãe".

Valor de pronome indefinido: Em construções correlativas, o possessivo assume o sentido de "próprio" ou "respectivo". Exemplo: "Cada um resolveu seus problemas." (Seus = seus próprios).

Mapa Mental: Pronomes Possessivos

  • Pronomes Possessivos
    • Conceito e Flexão
      • Indicam posse, pertinência ou vínculo afetivo.
      • Flexionam em gênero e número de acordo com o objeto possuído.
    • Classificação por Pessoa
      • 1ª Pessoa: meu/minha, meus/minhas (eu); nosso/nossa, nossos/nossas (nós).
      • 2ª Pessoa: teu/tua, teus/tuas (tu); vosso/vossa, vossos/vossas (vós - em desuso no Brasil).
      • 3ª Pessoa: seu/sua, seus/suas (ele/ela/eles/elas).
    • Ambiguidade e Desambiguação
      • 🔴 Ambiguidade do "seu": Uso coloquial para 2ª pessoa (você) gera conflito com a 3ª pessoa em textos com múltiplos sujeitos.
      • Desambiguação: Uso de "dele/dela/deles/delas" (contrações preposição 'de' + pronome) para especificar o possuidor da 3ª pessoa.
    • Sintaxe e Semântica
      • 🟡 Concordância: O possessivo concorda com o objeto possuído, não com o possuidor.
      • Uso substantivo: Substitui o núcleo nominal elíptico (O meu, o seu).
      • Valores adicionais: Afetivo (A minha mãe) e Indefinido (Cada um com seus problemas).

Conclusão

O domínio dos pronomes possessivos é indispensável para a construção de textos coesos e a eliminação de ruídos comunicativos. A compreensão de que a flexão do possessivo é regida pelo objeto possuído, e não pelo possuidor, previne erros graves de concordância nominal. Simultaneamente, o reconhecimento da ambiguidade inerente ao pronome "seu" no português brasileiro e o uso estratégico das contrações "dele/dela" funcionam como ferramentas essenciais para a precisão referencial.

rico

Bacharel em administração, especialização em gestão financeira, gestão governamental, perito em contabilidade, analista de investimento e especialista em mercado financeiro.

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