Morfologia e Sintaxe: Classes de Palavras, Termos da Oração e Período Composto

A língua portuguesa opera por meio de dois sistemas interdependentes: a morfologia classifica as palavras conforme sua natureza e categoria gramatical, enquanto a sintaxe determina a função que essas palavras exercem dentro da oração. Um substantivo, por exemplo, é uma classe morfológica fixa, mas pode atuar como sujeito, objeto direto ou complemento nominal dependendo de sua posição e relação com outros termos. Essa distinção entre o que a palavra é (morfologia) e o que ela faz (sintaxe) constitui o fundamento da análise linguística normativa. A morfossíntaxe integra ambos os níveis, revelando como as categorias se articulam para construir sentido.

Morfologia: As Dez Classes de Palavras

A morfologia identifica e categoriza as palavras do português em dez classes gramaticais, divididas em variáveis (admitem flexão de gênero, número, grau, pessoa, tempo, modo) e invariáveis (mantêm forma fixa). Essa classificação responde à pergunta: "O que esta palavra é?"

Substantivo

Nomeia seres, objetos, fenômenos, lugares, qualidades e ações. Flexiona-se em gênero (masculino/feminino), número (singular/plural) e grau (aumentativo/diminutivo).

Exemplos: casa, casas, casarão, casebre; estudante, estudantes; Brasil, brasileiros.

Condições de aplicação: Toda palavra que nomeia e pode ser precedida por artigo é substantivo. O artigo funciona como teste morfológico.

Exceções e armadilhas: Substantivos sobrecomuns (a criança, o cônjuge) possuem gênero fixo independentemente do sexo do referente. Substantivos comuns de dois gêneros (o/a estudante) variam conforme o artigo.

🟡 [ALTA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Cobrança recorrente em questões de concordância nominal e identificação de sujeito. A banca exige reconhecimento de substantivos abstratos (que derivam de verbos ou adjetivos: "a chegada", "a beleza") versus concretos.

Artigo

Determina o substantivo, indicando gênero e número. Divide-se em definido (o, a, os, as) e indefinido (um, uma, uns, umas).

Exemplos: O livro está aberto. Comprei uma caneta. Os alunos chegaram. Uns dias depois, partimos.

Condições de aplicação: O artigo antecede imediatamente o substantivo ou palavra substantivada. Pode contrair-se com preposições (do, da, no, na, pelo, pela).

Armadilha: Diante de substantivos próprios de pessoa, o uso do artigo é facultativo em português brasileiro (Maria saiu / A Maria saiu), mas obrigatório em português europeu.

Adjetivo

Caracteriza o substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou aspecto. Flexiona-se em gênero, número e grau (comparativo e superlativo).

Exemplos: casa grande, casas grandes; aluno inteligente, alunas inteligentes; mais alto que, altíssimo.

Condições de aplicação: Concorda obrigatoriamente em gênero e número com o substantivo a que se refere. Pode aparecer antes ou depois do substantivo, ou como predicativo do sujeito.

Exceções: Adjetivos compostos (olhos azul-claros) flexionam apenas o segundo elemento em número, exceto quando o primeiro é adjetivo (igrejas romano-góticas) ou quando o segundo é substantivo (camisas rosa-claro).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de concordância nominal exploram casos de adjetivos que concordam com o mais próximo ou com o mais distante (são proibidas as entradas de menores e de menores proibidas). A posição do adjetivo altera o sentido: "homem grande" (tamanho) versus "grande homem" (importância).

Numeral

Indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração. Classifica-se em cardinal (um, dois), ordinal (primeiro, segundo), multiplicativo (dobro, triplo) e fracionário (metade, terço).

Exemplos: Comprei três livros. Ela chegou em primeiro lugar. O dobro de cinco é dez. Li metade do capítulo.

Condições de aplicação: Numerais cardinais "milhão", "bilhão" e "trilhão" são substantivos e exigem artigo. Ordinais concordam em gênero e número com o substantivo (segunda-feira, segundos colocados).

Armadilha: "Ambos" e "ambas" funcionam como numerais coletivos e exigem artigo quando precedem substantivo: "ambos os candidatos".

Pronome

Substitui ou acompanha o substantivo, indicando a pessoa do discurso. Classifica-se em pessoal (eu, tu, ele, nós, vós, eles), possessivo (meu, teu, seu), demonstrativo (este, esse, aquele), indefinido (algum, nenhum, todo), interrogativo (quem, qual) e relativo (que, quem, cujo).

Exemplos: Eu estudei. Meu livro sumiu. Este é meu. Alguém chegou. Quem fez isso? O livro que li é bom.

Condições de aplicação: Pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele) exercem função de sujeito. Pronomes oblíquos (me, te, o, a, lhe) exercem função de complemento. Pronomes de tratamento (você, senhor, Vossa Excelência) exigem concordância na terceira pessoa.

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre pronome relativo e pronome pessoal é cobrada em análise sintática. "Que" como pronome relativo retoma antecedente e pode ser substituído por "o qual". "Que" como conjunção integrante não retoma termo anterior. Pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe) geram questões de colocação pronominal.

Verbo

Expressa ação, estado, fenômeno da natureza ou mudança de estado. Flexiona-se em pessoa, número, tempo, modo e voz.

Exemplos: Estudo, estudaste, estudarão; sou, és, é; choveu, neva; abriu-se, foi aberto.

Condições de aplicação: Verbos transitivos diretos exigem objeto sem preposição (Comprei livro). Transitivos indiretos exigem preposição (Gosto de música). Intransitivos não exigem complemento (Ele dormiu). De ligação conectam sujeito a predicativo (Ela está feliz).

Exceções: Verbos como "assistir" e "visar" mudam de transitividade conforme o sentido: "assisti ao jogo" (ver) versus "assisti o doente" (ajudar).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de regência verbal exploram verbos com dupla transitividade e mudança de sentido. Concordância verbal com sujeito composto, partitivo ("a maioria dos alunos") e verbos impessoais ("haver" no sentido de existir) é cobrança frequente.

Advérbio

Modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância de tempo, lugar, modo, intensidade, negação, dúvida, afirmação. É invariável.

Exemplos: Chegou cedo. Muito inteligente. Não sei. Talvez chova. Falou bem.

Condições de aplicação: Advérbios em "-mente" derivam de adjetivos femininos (rápida → rapidamente). Locuções adverbiais (às pressas, de repente) exercem a mesma função.

Armadilha: "Meio" como advérbio é invariável (ela está meio cansada), mas como numeral varia (meia maçã).

Preposição

Conecta palavras, estabelecendo relação de sentido entre elas. É invariável. Preposições essenciais: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

Exemplos: Livro de João. Vou para casa. Falou sobre política.

Condições de aplicação: Preposições combinam-se com artigos (a + o = ao, de + o = do) e pronomes (de + ele = dele, em + essa = nessa).

Exceções: "Perante" e "per" são pouco usadas no português contemporâneo. "Até" pode ser preposição (até amanhã) ou advérbio (até chegou).

Conjunção

Conecta orações ou termos de mesma função. Divide-se em coordenativa (liga orações independentes) e subordinativa (liga oração dependente a outra independente).

Exemplos: Estudei e passei. Quero que estudes. Embora chovesse, saí.

Condições de aplicação: Conjunções coordenativas: aditivas (e, nem), adversativas (mas, porém), alternativas (ou...ou), conclusivas (logo, portanto), explicativas (pois, porque). Conjunções subordinativas: causais (porque, visto que), concessivas (embora, ainda que), condicionais (se, caso), conformativas (conforme, segundo), comparativas (como, tal qual), consecutivas (que, de modo que), finais (para que, a fim de), proporcionais (à medida que, quanto mais), temporais (quando, logo que), integrantes (que, se).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A classificação de orações subordinadas adverbiais e substantivas depende do reconhecimento da conjunção. "Que" como conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva. "Que" como pronome relativo introduz oração subordinada adjetiva. A distinção é cobrança clássica.

Interjeição

Expressa emoções, sensações ou estados de espírito. É invariável.

Exemplos: Uau! Ai! Psiu! Bravo! Ora!

Condições de aplicação: Interjeições não se integram sintaticamente à oração. Funcionam como frases exclamativas autônomas.

🟢 [BAIXA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Raramente cobrada diretamente, mas pode aparecer em questões de interpretação de texto para identificar tom emocional.

Sintaxe da Oração: Termos Essenciais, Integrantes e Acessórios

A sintaxe analisa a função dos termos na oração, respondendo à pergunta: "O que esta palavra faz na oração?" Os termos classificam-se em essenciais (obrigatórios para existência da oração), integrantes (completam sentido de verbos e nomes) e acessórios (acrescentam informações secundárias).

Termos Essenciais da Oração

Sujeito

Termo sobre o qual se declara algo. Concorda com o verbo em pessoa e número. Identifica-se perguntando ao verbo: "Quem é que...?" ou "O que é que...?"

Exemplos: Os alunos estudaram. (Quem estudou? Os alunos.) Choveu muito. (Sujeito inexistente - verbo impessoal.)

Tipos de sujeito: Simples (um núcleo: "O menino correu"), composto (dois ou mais núcleos: "João e Maria saíram"), oculto/elíptico/desinencial (identificado pela desinência verbal: "Estudamos" - nós), indeterminado (não identificado: "Falaram mal de você"), oração sem sujeito (verbos impessoais: "Havia pessoas", "Choveu").

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de concordância verbal exigem identificação precisa do sujeito. Sujeito posposto ao verbo (chegaram os alunos) e sujeito partitivo (a maioria dos estudantes aprovou/aprovaram) são armadilhas frequentes. Verbos "haver" (existir) e "fazer" (tempo) são impessoais e ficam na terceira pessoa do singular.

Predicado

Termo que contém o verbo e declara algo sobre o sujeito. Classifica-se em verbal (núcleo verbal significativo: "Ele correu"), nominal (núcleo nominal ligado por verbo de ligação: "Ela está feliz"), verbo-nominal (dois núcleos: "Ele chegou cansado").

Exemplos: Os pássaros voam. (Predicado verbal.) A menina é inteligente. (Predicado nominal.) O aluno saiu apressado. (Predicado verbo-nominal.)

Condições de aplicação: Predicado verbal contém verbo intransitivo ou transitivo. Predicado nominal contém verbo de ligação (ser, estar, parecer, permanecer) e predicativo do sujeito. Predicado verbo-nominal contém verbo significativo e predicativo do sujeito ou do objeto.

Termos Integrantes da Oração

Objeto Direto

Complementa verbo transitivo direto sem preposição. Responde à pergunta: "Quem?" ou "O quê?" após o verbo.

Exemplos: Comprei livro. (Comprei o quê? Livro.) Encontrei Maria. (Encontrei quem? Maria.)

Exceções: Objeto direto preposicionado ocorre com pronomes oblíquos tônicos (Encontrei-a), nomes próprios de pessoa (Admiro a Machado de Assis), pronomes indefinidos (A ninguém enganei), para ênfase (A ti amo) ou para evitar ambiguidade (Amei a mãe de João).

🟡 [ALTA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A preposição facultativa em objeto direto preposicionado é cobrada em questões de reescrita. Pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as) funcionam como objeto direto.

Objeto Indireto

Complementa verbo transitivo indireto com preposição obrigatória. Responde à pergunta: "De quem?", "De quê?", "A quem?", "A quê?" após o verbo.

Exemplos: Gosto de música. (Gosto de quê? De música.) Obedeço aos pais. (Obedeço a quem? Aos pais.)

Condições de aplicação: A preposição é exigida pelo verbo, não pelo complemento. Pronomes oblíquos átonos "lhe", "lhes" funcionam como objeto indireto.

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de regência verbal exploram verbos que mudam de transitividade conforme o sentido (assistir, visar, aspirar, obedecer). A distinção entre objeto direto e indireto é fundamental para uso correto de pronomes oblíquos.

Complemento Nominal

Completa sentido de substantivo, adjetivo ou advérbio abstratos, sempre com preposição. Refere-se a termo que não é substantivo concreto.

Exemplos: Amor à pátria. (Amor a quê? À pátria - completa substantivo abstrato.) Útil ao trabalho. (Útil a quê? Ao trabalho - completa adjetivo.)

Armadilha clássica: Diferenciar complemento nominal de adjunto adnominal. Complemento nominal completa nome abstrato e é alvo da ação (amor à pátria - a pátria é amada). Adjunto adnominal acompanha substantivo concreto ou abstrato e pratica a ação (amor de mãe - a mãe ama).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal é uma das cobranças mais frequentes. Teste: se o termo preposicionado pratica a ação expressa pelo nome, é adjunto adnominal. Se sofre a ação, é complemento nominal. "A destruição da cidade" (a cidade foi destruída - complemento nominal). "A chegada dos turistas" (os turistas chegam - adjunto adnominal).

Agente da Passiva

Termo que pratica a ação na voz passiva analítica. Introduzido por preposição "por" (ou "de").

Exemplos: O livro foi escrito por Machado. (Quem escreveu o livro? Machado.) A casa foi construída pelo pedreiro.

Condições de aplicação: Ocorre apenas em orações na voz passiva analítica (verbo ser + particípio). Na voz passiva sintética (Vende-se casa), o agente não aparece.

Termos Acessórios da Oração

Adjunto Adnominal

Acompanha substantivo (concreto ou abstrato), caracterizando-o, determinando-o ou especificando-o. Pode ser artigo, adjetivo, pronome adjetivo, numeral ou locução adjetiva.

Exemplos: O meu livro novo. (O - artigo, meu - pronome, livro - substantivo, novo - adjetivo.) A casa de madeira. (de madeira - locução adjetiva.)

Condições de aplicação: O adjunto adnominal concorda em gênero e número com o substantivo quando é adjetivo. Não exige preposição obrigatória, mas pode aparecer em locução adjetiva.

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal (já explicada) é cobrança clássica. Outra armadilha: adjunto adnominal pode ser retirado sem prejudicar a estrutura sintática, mas altera o sentido. Complemento nominal é obrigatório para completar o sentido do nome abstrato.

Adjunto Adverbial

Modifica verbo, adjetivo ou oração inteira, indicando circunstância de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, intensidade, negação, afirmação, dúvida, companhia, instrumento, assunto.

Exemplos: Cheguei cedo. (tempo) Moro em São Paulo. (lugar) Estudei muito. (intensidade) Fui com Maria. (companhia) Escrevi com caneta. (instrumento)

Condições de aplicação: Pode ser representado por advérbio ou locução adverbial. É termo deslocável na oração sem prejudicar a estrutura sintática.

Armadilha: Adjunto adverbial de meio/instrumento não se confunde com sujeito. "Com a chave abriu-se a porta" (a chave é instrumento, não sujeito). O sujeito é "a porta".

Aposto

Termo que explica, especifica, resume ou desenvolve outro termo da oração. Vem separado por vírgula, dois-pontos ou travessão.

Exemplos: São Paulo, a maior cidade do Brasil, é cosmopolita. (aposto explicativo.) Comprei dois livros: um de história e outro de geografia. (aposto enumerativo.) Tudo, tudo passou. (aposto de recapitulação)

Condições de aplicação: O aposto refere-se a substantivo, pronome ou oração. Não se confunde com predicativo do sujeito, que se refere ao sujeito através do verbo.

Vocativo

Termo que invoca ou chama o interlocutor. Não se integra sintaticamente ao sujeito ou predicado. Vem separado por vírgula.

Exemplos: Maria, venha cá. Alunos, prestem atenção. Ó Deus, ouvi-me.

Condições de aplicação: O vocativo é termo independente. Não faz parte do sujeito nem do predicado. Pode vir no início, meio ou fim da oração.

Sintaxe do Período: Coordenação e Subordinação

O período composto por mais de uma oração pode ser formado por coordenação (orações independentes sintaticamente) ou subordinação (uma oração depende sintaticamente da outra).

Período Composto por Coordenação

Orações coordenadas são sintaticamente independentes, mas semanticamente relacionadas. Classificam-se em assindéticas (sem conjunção) e sindéticas (com conjunção).

Orações Coordenadas Assindéticas

Separadas por vírgula, ponto ou ponto-e-vírgula, sem conjunção.

Exemplo: Vim, vi, venci.

Orações Coordenadas Sindéticas

Ligadas por conjunção coordenativa.

Aditivas: e, nem, não só...mas também. Exemplo: Estudei e passei.

Adversativas: mas, porém, todavia, contudo, no entanto. Exemplo: Estudei, mas não passei.

Alternativas: ou...ou, ora...ora, quer...quer. Exemplo: Ou estudas ou trabalhas.

Conclusivas: logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo). Exemplo: Penso, logo existo.

Explicativas: porque, pois (anteposto ao verbo), que. Exemplo: Saia daí, que vai chover.

🟡 [ALTA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A posição do "pois" altera a classificação: anteposto ao verbo é conclusiva (Portanto = pois), posposto é explicativa. Conjunções adversativas podem aparecer deslocadas: "Estudei muito. Não passei, porém."

Período Composto por Subordinação

Orações subordinadas dependem sintaticamente da oração principal. Classificam-se em substantivas, adjetivas e adverbiais.

Orações Subordinadas Substantivas

Exercem função de substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, aposto). Introduzidas por conjunção integrante "que" ou "se".

Subjetiva: É necessário que estudes. (Sujeito de "é necessário")

Objetiva direta: Quero que estudes. (Objeto direto de "quero")

Objetiva indireta: Necessito de que estudes. (Objeto indireto de "necessito")

Completiva nominal: Tenho certeza de que estudarás. (Complemento nominal de "certeza")

Predicativa: Meu desejo é que estudes. (Predicativo do sujeito "desejo")

Apositiva: Só desejo uma coisa: que estudes. (Aposto de "coisa")

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A identificação de orações subordinadas substantivas exige reconhecimento da função sintática que exercem. A conjunção "que" é integrante, não pronome relativo. Teste: se "que" pode ser substituído por "isso", é conjunção integrante (Quero isso).

Orações Subordinadas Adjetivas

Exercem função de adjetivo, caracterizando substantivo da oração principal. Introduzidas por pronome relativo (que, quem, cujo, o qual).

Restritivas: Restringem o sentido do antecedente. Não vêm entre vírgulas. Exemplo: Os alunos que estudaram passaram. (Apenas os que estudaram passaram.)

Explicativas: Acrescentam informação adicional ao antecedente. Vêm entre vírgulas. Exemplo: Os alunos, que estudaram, passaram. (Todos os alunos estudaram e passaram.)

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre restritiva e explicativa altera o sentido do texto. Questões de interpretação exploram essa diferença. O pronome relativo "cujo" não admite artigo depois e concorda em gênero e número com o possessivo (o autor cujo livro li).

Orações Subordinadas Adverbiais

Exercem função de advérbio, indicando circunstância. Classificam-se conforme a conjunção subordinativa.

Causais: porque, visto que, uma vez que, como (anteposto). Exemplo: Como choveu, não saí.

Concessivas: embora, ainda que, mesmo que, apesar de que. Exemplo: Embora chovesse, saí.

Condicionais: se, caso, desde que, contanto que. Exemplo: Se chover, não sairei.

Conformativas: conforme, segundo, consoante, como. Exemplo: Fiz conforme orientaram.

Comparativas: como, tal qual, assim como, mais/menos...que. Exemplo: Ele é alto como o pai.

Consecutivas: que (precedido de tal, tão, tanto), de modo que. Exemplo: Gritou tanto que ficou rouco.

Finais: para que, a fim de que, porque (no sentido de "para que"). Exemplo: Estudei para que passasse.

Proporcionais: à medida que, à proporção que, quanto mais...mais. Exemplo: À medida que estudava, aprendia.

Temporais: quando, logo que, assim que, desde que, enquanto. Exemplo: Quando cheguei, ele saiu.

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A classificação de orações adverbiais é cobrança frequente. A conjunção "como" pode ser comparativa (Ele é como o pai), conformativa (Fiz como mandaram) ou causal (Como choveu, não saí - quando anteposta). A distinção depende do contexto e da posição na oração.

Sintaxe de Concordância, Regência e Colocação Pronominal

Concordância Verbal

O verbo concorda em pessoa e número com o sujeito.

Regras gerais: Sujeito simples: verbo concorda com o núcleo (Os alunos estudaram). Sujeito composto antes do verbo: verbo no plural (João e Maria saíram). Sujeito composto depois do verbo: verbo concorda com o mais próximo ou vai para o plural (Saíram João e Maria / Saiu João e Maria).

Casos especiais:

Sujeito partitivo (a maioria de, grande parte de): verbo no singular ou plural (A maioria dos alunos aprovou/aprovaram).

Expressões "mais de um", "mais de dois": verbo no singular, exceto se houver reciprocidade (Mais de um aluno saiu. Mais de um aluno se abraçaram - reciprocidade).

Pronomes indefinidos (algum, nenhum, todo): verbo no singular (Nenhum aluno saiu).

Verbo "haver" no sentido de existir: impessoal, terceira pessoa do singular (Havia muitos alunos).

Verbo "fazer" indicando tempo: impessoal, terceira pessoa do singular (Faz dois anos que não o vejo).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de concordância verbal exploram sujeito posposto, sujeito partitivo e verbos impessoais. A banca apresenta frases com "haver" e "fazer" no plural para testar conhecimento da impessoalidade.

Concordância Nominal

Adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo. Artigo e numeral concordam com o substantivo.

Regras gerais: Adjetivo após substantivos de gêneros diferentes: masculino plural (Pai e mãe dedicados) ou concorda com o mais próximo (Pai e mãe dedicada).

Adjetivo antes de substantivos de gêneros diferentes: concorda com o mais próximo (Dedicada pai e mãe).

Adjetivo como predicativo do sujeito: concorda com o sujeito (As meninas estão felizes).

Casos especiais:

"Anexo", "incluso", "obrigado", "certo": concordam com o substantivo a que se referem (Seguem anexas as fotos. Ela disse obrigada).

"É proibido", "é necessário", "é bom": se o substantivo não tem artigo, expressão fica invariável (É proibido entrada. É necessário paciência). Se tem artigo, concorda (É proibida a entrada. É necessária a paciência).

🟡 [ALTA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A concordância com "anexo", "obrigado" e expressões como "é proibido" é cobrada em questões de reescrita. A presença ou ausência de artigo altera a concordância.

Regência Verbal e Nominal

Regência estuda a relação de dependência entre verbo e complemento (regência verbal) ou entre nome e complemento (regência nominal).

Regência verbal: Verbos transitivos diretos não exigem preposição (Comprei livro). Transitivos indiretos exigem preposição (Gosto de música). Alguns verbos admitem dupla transitividade com mudança de sentido.

Verbos com dupla regência:

Assistir: assistir ao filme (ver) / assistir o doente (ajudar).

Visar: visar ao cargo (almejar) / visar o alvo (mirar).

Aspirar: aspirar ao cargo (almejar) / aspirar o ar (sorver).

Obedecer: obedecer aos pais (a alguém) / obedecer a ordem (a algo - menos comum).

Preferir: preferir isto a aquilo (não usar "do que").

Regência nominal: Substantivos, adjetivos e advérbios podem exigir preposição.

Exemplos: Acesso a, amor a/de, capaz de, curioso por, difícil de, fácil de, habituado a, necessário a, relativo a.

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de regência exploram verbos com dupla transitividade e mudança de sentido. A regência de "preferir" (preferir X a Y, não "preferir X do que Y") é cobrança clássica. Regência nominal é menos frequente, mas aparece em questões de reescrita.

Colocação Pronominal

Estuda a posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) em relação ao verbo.

Próclise: Pronome antes do verbo. Ocorre quando há palavra atrativa antes do verbo: pronomes relativos, pronomes interrogativos, advérbios, negações, conjunções subordinativas.

Exemplos: Não me disse nada. (negação) Quando me viu, sorriu. (conjunção) A pessoa que me viu... (pronome relativo)

Ênclise: Pronome depois do verbo. Ocorre quando o verbo inicia a oração ou quando há vírgula antes do verbo.

Exemplos: Disse-me a verdade. (verbo inicia oração) Chegou, viu, venceu-a. (vírgula antes do verbo)

Mesóclise: Pronome no meio do verbo (futuro do presente ou pretérito). Ocorre quando não há palavra atrativa.

Exemplos: Dar-te-ei o livro. Dir-lhe-ia a verdade.

🟡 [ALTA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Questões de colocação pronominal exploram presença de palavra atrativa (que força próclise) e início de oração (que exige ênclise). Em português brasileiro, a próclise é predominante, mas a norma culta exige ênclise em início de oração.

Mapa Mental: Morfologia e Sintaxe

  • Morfologia: Classes de Palavras
    • Substantivo: nomeia seres, objetos, conceitos (flexiona em gênero, número, grau)
    • Artigo: determina o substantivo (definido: o, a, os, as; indefinido: um, uma, uns, umas)
    • Adjetivo: caracteriza o substantivo (flexiona em gênero, número, grau)
    • Numeral: indica quantidade, ordem, multiplicação, fração
    • Pronome: substitui ou acompanha substantivo (pessoal, possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo, relativo)
    • Verbo: expressa ação, estado, fenômeno (flexiona em pessoa, número, tempo, modo, voz)
    • Advérbio: modifica verbo, adjetivo ou advérbio (invariável)
    • Preposição: conecta palavras (invariável)
    • Conjunção: conecta orações (coordenativa ou subordinativa)
    • Interjeição: expressa emoção (invariável)
  • Sintaxe da Oração: Termos
    • Termos Essenciais
      • Sujeito: termo sobre o qual se declara algo (simples, composto, oculto, indeterminado, oração sem sujeito)
      • Predicado: declara algo sobre o sujeito (verbal, nominal, verbo-nominal)
    • Termos Integrantes
      • Objeto Direto: complementa VTD sem preposição
      • Objeto Indireto: complementa VTI com preposição
      • Complemento Nominal: completa nome abstrato com preposição
      • Agente da Passiva: pratica ação na voz passiva
    • Termos Acessórios
      • Adjunto Adnominal: acompanha substantivo (artigo, adjetivo, pronome, numeral, locução adjetiva)
      • Adjunto Adverbial: indica circunstância (tempo, lugar, modo, causa, etc.)
      • Aposto: explica, especifica ou desenvolve termo anterior
      • Vocativo: invoca interlocutor
  • Sintaxe do Período
    • Coordenação
      • Assindética: sem conjunção
      • Sindética: com conjunção (aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva, explicativa)
    • Subordinação
      • Substantiva: função de substantivo (subjetiva, objetivas, completiva, predicativa, apositiva)
      • Adjetiva: função de adjetivo (restritiva, explicativa)
      • Adverbial: função de advérbio (causal, concessiva, condicional, conformativa, comparativa, consecutiva, final, proporcional, temporal)
  • Concordância, Regência e Colocação
    • Concordância Verbal: verbo concorda com sujeito em pessoa e número
    • Concordância Nominal: adjetivo concorda com substantivo em gênero e número
    • Regência Verbal: transitividade do verbo (direta, indireta, dupla)
    • Regência Nominal: preposição exigida por nome
    • Colocação Pronominal: próclise (antes), ênclise (depois), mesóclise (no meio)

Conclusão

O domínio da morfossíntaxe permite identificar com precisão a natureza e a função de cada termo na oração, eliminando ambiguidades e garantindo adequação à norma culta. A análise morfológica responde ao que a palavra é, a análise sintática responde ao que a palavra faz. Essa distinção é fundamental para resolver questões de concordância, regência e colocação pronominal, além de compreender a estrutura de períodos compostos por coordenação e subordinação.

Na prática, o estudo sistemático das dez classes gramaticais, dos termos da oração e dos tipos de período permite identificar erros de concordância, aplicar corretamente a regência verbal e nominal, posicionar pronomes oblíquos conforme a norma culta e classificar orações subordinadas com segurança. A compreensão da diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal, entre conjunção integrante e pronome relativo, entre oração coordenada e subordinada, constitui base para análise textual, escrita formal e resolução de questões em provas e concursos.

A aplicação prática exige leitura atenta de textos variados, identificação de classes gramaticais e funções sintáticas, e verificação de concordância e regência. A revisão sistemática dos casos especiais e exceções, aliada à resolução de exercícios contextualizados, consolida o aprendizado. Erros recorrentes como confusão entre adjunto adnominal e complemento nominal, uso incorreto de pronomes oblíquos e classificação equivocada de orações subordinadas devem ser monitorados e corrigidos com prática deliberada.

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Questão 1

(i) Perfil: FGV — Auditor Fiscal da Receita — Morfossintaxe (distinção entre classe gramatical e função sintática, com foco em adjetivo e predicativo do sujeito).

Frase A: Os alunos chegaram animados.
Frase B: Os alunos animados chegaram cedo.

(iii) Enunciado: Na análise morfossintática das frases A e B, a palavra "animados" classifica-se morfologicamente como adjetivo em ambas. No entanto, sintaticamente, sua função altera-se conforme a posição e a relação com o verbo. Assinale a alternativa que indica, respectivamente, a função sintática de "animados" na Frase A e na Frase B.

  • a) Adjunto adnominal e predicativo do sujeito.
  • b) Predicativo do sujeito e adjunto adnominal.
  • c) Predicativo do sujeito e predicativo do objeto.
  • d) Adjunto adnominal e complemento nominal.
  • e) Complemento nominal e adjunto adnominal.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: B

Análise: Na Frase A ("Os alunos chegaram animados"), o adjetivo "animados" refere-se ao sujeito "alunos" por meio do verbo intransitivo "chegaram", exprimindo um estado ou qualidade atribuída ao sujeito no momento da ação. Essa é a definição clássica de predicativo do sujeito. Na Frase B ("Os alunos animados chegaram cedo"), o adjetivo "animados" está integrado ao sintagma nominal "Os alunos animados", caracterizando e determinando o substantivo diretamente, sem intermediação verbal para atribuir estado. Nesse caso, atua como adjunto adnominal. A pegadinha clássica da FGV reside na mudança de sentido: na A, eles chegaram e estavam animados (estado no momento da chegada); na B, apenas os alunos que já estavam animados é que chegaram cedo.

Questão 2

(i) Perfil: FCC — Técnico Judiciário — Sintaxe da Oração (identificação de sujeito e concordância verbal com verbos impessoais).

________ muitas razões para que se ________ os erros do passado, mas ainda ________ quem não ________ as lições da história.

(iii) Enunciado: De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas da frase acima devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

  • a) Havia — repetissem — existe — aprendesse
  • b) Haviam — repetissem — existem — aprendessem
  • c) Havia — repetisse — existem — aprendesse
  • d) Haviam — repetisse — existe — aprendessem
  • e) Havia — repetissem — existem — aprendessem
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: A

Análise: A primeira lacuna exige o verbo "haver" no sentido de "existir". Pela norma culta, o verbo "haver" nesse sentido é impessoal, ou seja, não possui sujeito e deve permanecer na 3ª pessoa do singular. Logo, "Havia muitas razões" (e não "Haviam"). Isso elimina as alternativas B e D. Na segunda lacuna, o verbo "repetir" está na voz passiva sintética ("para que se repetissem os erros"). O sujeito de "repetissem" é "os erros" (sujeito paciente), portanto o verbo deve concordar com "erros" no plural: "repetissem". Na terceira lacuna, o verbo "existir" concorda com o sujeito "quem". A construção "existe quem" é a forma consagrada, pois "quem" funciona como pronome relativo com antecedente implícito "alguém", atraindo o singular. Na quarta lacuna, o verbo "aprender" também concorda com "quem" no singular: "aprendesse". Portanto, a sequência correta é: Havia (impessoal) — repetissem (sujeito paciente "os erros") — existe (sujeito "quem") — aprendesse (sujeito "quem").

Questão 3

(i) Perfil: Vunesp — Médico / Advogado — Sintaxe da Oração (distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal).

I. A crítica do professor foi severa.
II. A crítica ao professor foi severa.

(iii) Enunciado: No trecho I, o termo "do professor" exerce a função de adjunto adnominal. No trecho II, o termo "ao professor" exerce a função de complemento nominal. Essa diferença de classificação sintática ocorre porque:

  • a) Em I, "do professor" completa o sentido de um substantivo abstrato, sofrendo a ação; em II, "ao professor" caracteriza um substantivo concreto, praticando a ação.
  • b) Em I, "do professor" pratica a ação de criticar (agente); em II, "ao professor" sofre a ação de ser criticado (paciente).
  • c) Em I, o substantivo "crítica" é concreto; em II, o substantivo "crítica" é abstrato.
  • d) Em I, "do professor" é um adjunto adverbial de agente; em II, é um agente da passiva.
  • e) Em ambas as orações, os termos preposicionados são complementos nominais, pois a preposição é exigida pelo substantivo "crítica".
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: B

Análise: Esta é a cobrança clássica da Vunesp sobre a fronteira entre adjunto adnominal e complemento nominal. O segredo está na análise semântica da relação entre o substantivo e o termo preposicionado. Em I ("A crítica do professor foi severa"), o professor é o autor da crítica, ou seja, ele pratica a ação de criticar. Quando o termo preposicionado pratica a ação expressa pelo substantivo, ele é adjunto adnominal. Em II ("A crítica ao professor foi severa"), o professor é o alvo da crítica (alguém criticou o professor). Quando o termo preposicionado sofre a ação expressa pelo substantivo abstrato, ele é complemento nominal. A alternativa B descreve exatamente essa relação de agente (pratica a ação) e paciente (sofre a ação).

Questão 4

(i) Perfil: Cebraspe — Policial Federal — Sintaxe do Período (Orações subordinadas adjetivas e valor semântico).

Texto 1: Os candidatos que estudaram diariamente foram aprovados.
Texto 2: Os candidatos, que estudaram diariamente, foram aprovados.

(iii) Enunciado: Acerca da sintaxe do período e da pontuação nos Textos 1 e 2, julgue o item a seguir. A oração subordinada adjetiva no Texto 1 é restritiva, o que implica que apenas uma parte dos candidatos (a daqueles que estudaram diariamente) foi aprovada. No Texto 2, a oração é explicativa, indicando que todos os candidatos referidos estudaram diariamente e todos foram aprovados.

  • a) Certo.
  • b) Errado.
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Gabarito: A (Certo)

Análise: O Cebraspe explora a diferença semântica e sintática entre orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas. No Texto 1, a ausência de vírgulas indica que a oração "que estudaram diariamente" é restritiva. Ela restringe o universo do substantivo "candidatos": não são todos os candidatos, mas apenas aqueles que atendem à condição de terem estudado diariamente. No Texto 2, a presença de vírgulas isola a oração, tornando-a explicativa. Ela acrescenta uma informação adicional e generalizada sobre o antecedente "candidatos", subentendendo que todos os candidatos mencionados estudaram diariamente e, consequentemente, todos foram aprovados. A afirmação está perfeitamente correta.

Questão 5

(i) Perfil: FGV — Analista Tributário — Sintaxe de Regência (Regência verbal e mudança de sentido).

I. O médico assistiu o paciente com dedicação.
II. O médico assistiu à cirurgia com atenção.
III. A empresa visou o lucro acima de tudo.
IV. A empresa visou ao lucro acima de tudo.

(iii) Enunciado: De acordo com a norma culta, a regência verbal dos verbos "assistir" e "visar" está correta e com a devida alteração de sentido apenas em:

  • a) I e III.
  • b) I e IV.
  • c) II e III.
  • d) II e IV.
  • e) I, II e IV.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: E

Análise: A FGV testa a dupla regência. No verbo assistir: no sentido de "ver, presenciar", é transitivo indireto e exige a preposição "a" (assistir à cirurgia -> II está correto). No sentido de "ajudar, socorrer, dar assistência", é transitivo direto, sem preposição (assistir o paciente -> I está correto). No verbo visar: no sentido de "mirar, alvejar", é transitivo direto (visar o alvo). No sentido de "almejar, ter por objetivo", é transitivo indireto e exige a preposição "a" (visar ao lucro -> IV está correto). Portanto, as construções corretas e com o sentido adequado são I (assistência), II (presenciar) e IV (almejar). A alternativa III está incorreta porque usou "visar" no sentido de almejar sem a preposição "a". A alternativa que contém I, II e IV é a E.

Questão 6

(i) Perfil: FCC — Analista Judiciário — Sintaxe de Concordância (Concordância nominal com palavras especiais).

I. Seguem anexo os documentos solicitados.
II. A candidata disse muito obrigada ao examinador.
III. É proibido a entrada de menores neste recinto.
IV. Elas estavam meio nervosas durante a prova.

(iii) Enunciado: Está inteiramente correta a concordância nominal apenas no que se apresenta em:

  • a) I e II.
  • b) I e III.
  • c) II e III.
  • d) II e IV.
  • e) III e IV.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: D

Análise: A FCC cobra as exceções e casos especiais de concordância nominal. Na I, "anexo" é um adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere. O correto seria "Seguem anexos os documentos". (Incorreta). Na II, "obrigado" funciona como adjetivo e concorda com o gênero de quem fala. Uma candidata deve dizer "muito obrigada". (Correta). Na III, a expressão "é proibido" varia quando o substantivo é acompanhado de artigo. Como "a entrada" está com artigo, o correto seria "É proibida a entrada". (Incorreta). Na IV, "meio" como advérbio de intensidade é invariável. "Elas estavam meio nervosas" está correto (se fosse numeral, seria "meias", mas aqui é advérbio). (Correta). Portanto, as corretas são II e IV. Gabarito D.

Questão 7

(i) Perfil: Vunesp — Escrevente Técnico Judiciário — Sintaxe de Colocação Pronominal (Próclise, ênclise e fatores de atração).

I. Não me diga que você não vai comparecer.
II. Se eu pudesse, ajudaria-lhe.
III. A pessoa que falou-me a verdade era sincera.
IV. Dar-lhe-ei o relatório amanhã.

(iii) Enunciado: De acordo com a norma culta da língua portuguesa, a colocação pronominal está INCORRETA apenas em:

  • a) I e II.
  • b) II e III.
  • c) I e IV.
  • d) III e IV.
  • e) I, II e III.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: B

Análise: A Vunesp foca nos fatores de atração para a próclise. Na I, a palavra "Não" é um advérbio de negação e atrai o pronome para antes do verbo (próclise). "Não me diga" está correto. Na II, a oração inicia-se com a conjunção subordinativa "Se". Palavras atrativas antes do verbo exigem próclise. O correto seria "Se eu pudesse, me ajudaria". "ajudaria-lhe" está incorreto. Na III, o pronome relativo "que" é fator de atração. Exige próclise. O correto seria "A pessoa que me falou...". "falou-me" está incorreto. Na IV, o verbo está no futuro do presente e não há fator de atração. A mesóclise é obrigatória nesse caso. "Dar-lhe-ei" está correto. Portanto, as incorretas são II e III. Gabarito B.

Questão 8

(i) Perfil: FGV — Jornalista / Analista — Morfologia (Conjunções e valor semântico das orações coordenadas/subordinadas).

I. Como não estudou, não passou no exame.
II. Fez o exercício como o professor orientou.
III. Como o professor orientou, o aluno fez o exercício.

(iii) Enunciado: A conjunção "como" assume valores semânticos e sintáticos distintos nas orações acima. Assinale a alternativa que apresenta a classificação morfossintática correta da conjunção "como" em I, II e III, respectivamente.

  • a) Causal, comparativa, conformativa.
  • b) Conformativa, causal, comparativa.
  • c) Causal, conformativa, comparativa.
  • d) Comparativa, conformativa, causal.
  • e) Conformativa, comparativa, causal.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: A

Análise: A FGV explora a polissemy da conjunção "como". Na I ("Como não estudou..."), a oração indica a causa, o motivo de não ter passado. Pode ser substituída por "Visto que" ou "Porque". Classifica-se como subordinativa causal. Na II ("...como o professor orientou"), a oração indica o modo, a maneira pela qual o exercício foi feito. Pode ser substituída por "da maneira que". Classifica-se como subordinativa comparativa (indica modo/semelhança). Na III ("Como o professor orientou, o aluno fez..."), a oração indica conformidade, acordo com a orientação. Pode ser substituída por "Conforme" ou "Segundo". Classifica-se como subordinativa conformativa. Portanto, a sequência é Causal, Comparativa, Conformativa. Gabarito A.

Questão 9

(i) Perfil: Cebraspe — Analista de Tribunal — Sintaxe da Oração (Objeto direto, objeto indireto e pronomes oblíquos).

O juiz concedeu-lhe o direito de apelação.

(iii) Enunciado: No período acima, o pronome oblíquo "lhe" atua como objeto indireto, enquanto o sintagma "o direito de apelação" atua como objeto direto. A substituição do objeto direto pelo pronome oblíquo átono correspondente, mantendo-se a norma culta, resultaria na seguinte reescrita:

  • a) O juiz concedeu-lhe-o.
  • b) O juiz lhe concedeu-o.
  • c) O juiz concedeu-lho.
  • d) O juiz o concedeu-lhe.
  • e) O juiz concedeu-o-lhe.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: C

Análise: O Cebraspe testa a combinação de pronomes oblíquos. Na oração "O juiz concedeu-lhe o direito de apelação", "lhe" é objeto indireto (conceder algo a alguém) e "o direito" é objeto direto (conceder algo). Para substituir o objeto direto ("o direito") pelo pronome átono, usamos "o". Quando temos o objeto indireto "lhe" e o objeto direto "o" na mesma oração, e ambos são representados por pronomes átonos, ocorre a combinação: lhe + o = lho (ou lhe + a = lha, lhes + o = lho, etc.). A forma correta do verbo com o pronome combinado é "concedeu-lho". A alternativa C apresenta exatamente essa forma combinada e corretamente posicionada (ênclise, pois o verbo não está no início da oração e não há fator de atração). A alternativa C é a única que apresenta o pronome combinado "lho".

Questão 10

(i) Perfil: FCC — Analista Judiciário — Sintaxe do Período (Orações subordinadas adverbiais e redução).

À medida que a economia crescia, o desemprego diminuía.

(iii) Enunciado: A oração destacada ("À medida que a economia crescia") é uma oração subordinada adverbial proporcional. Assinale a alternativa que apresenta a redução (oração reduzida) dessa mesma oração, mantendo o valor semântico e a norma culta.

  • a) Crescendo a economia, o desemprego diminuía.
  • b) Por crescer a economia, o desemprego diminuía.
  • c) Embora crescesse a economia, o desemprego diminuía.
  • d) Para crescer a economia, o desemprego diminuía.
  • e) Se a economia crescesse, o desemprego diminuía.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: A

Análise: A FCC frequentemente cobra a transformação de orações desenvolvidas (com conjunção e verbo flexionado) em orações reduzidas (com verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio, sem conjunção). A oração original é subordinada adverbial proporcional (indica que uma ação ocorre na mesma proporção que outra). Na alternativa A, "Crescendo a economia" é uma oração reduzida de gerúndio. O gerúndio, neste contexto, mantém o valor de proporção ("À medida que crescia" = "Crescendo"). A alternativa B indica causa ("Por crescer" = causal). A alternativa C indica concessão ("Embora" = concessiva). A alternativa D indica finalidade ("Para crescer" = final). A alternativa E indica condição ("Se" = condicional). Portanto, a única que mantém o valor proporcional é a alternativa A.

rico

Bacharel em administração, especialização em gestão financeira, gestão governamental, perito em contabilidade, analista de investimento e especialista em mercado financeiro.

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