Emprego de verbos, vozes verbais e pronomes: morfossintaxe, coesão e colocação pronominal ACI IBGE 2026

A morfossintaxe do verbo e do pronome constitui o núcleo da organização oracional na língua portuguesa. O verbo dita a estrutura predicativa, estabelece a transitividade e define as relações de voz (ativa, passiva e reflexiva), determinando se o sujeito pratica ou sofre a ação. Os pronomes, por sua vez, garantem a coesão referencial, a dêixis espacial e temporal, e a correta substituição de termos nominais. A colocação pronominal atua como o mecanismo regulador que posiciona os oblíquos átonos em relação ao verbo, obedecendo a fatores de atração sintática e a proibições normativas rigorosas. Em avaliações de alto nível, o domínio desses mecanismos é exigido em questões de reescrita, correção gramatical, análise de coesão textual e conversão de vozes verbais.

Classificação e Emprego dos Verbos: particularidades de conjugação e particípios

A classificação dos verbos quanto à conjugação observa a regularidade ou as alterações que o radical e as desinências sofrem durante a flexão. Essa distinção é fundamental para a aplicação correta das formas nominais, especialmente o particípio, que exerce papel central na formação dos tempos compostos e das vozes passivas.

1. Verbos Regulares, Irregulares e Anômalos

Os verbos regulares seguem o paradigma de sua conjugação sem apresentar alterações no radical ou nas desinências previstas. Os verbos irregulares sofrem modificações no radical ou nas terminações, como o verbo trazer (que no pretérito perfeito assume a forma "trouxe") ou o verbo fazer ("faço"). A categoria dos verbos anômalos é reservada àqueles que apresentam radicais distintos e anomalias profundas em sua conjugação, sendo o verbo ser e o verbo ir os exemplos clássicos na língua portuguesa, pois agregam radicais de origens etimológicas diversas.

2. Verbos Abundantes e o duplo particípio

Os verbos abundantes são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes para uma mesma flexão, fenômeno que ocorre quase exclusivamente no particípio. A norma-padrão estabelece uma regra rígida e inegociável para o emprego dessas formas duplas, baseada na escolha do verbo auxiliar que compõe a locução verbal.

  • Particípio Regular (terminado em -do): Deve ser empregado exclusivamente na voz ativa, acompanhado dos auxiliares ter ou haver. Exemplo: "O juiz havia aceitado os documentos."
  • Particípio Irregular (forma curta): Deve ser empregado na voz passiva, acompanhado dos auxiliares ser, estar ou ficar. Exemplo: "Os documentos foram aceitos pelo juiz."
Quadro de verbos abundantes e seus particípios duplos
Infinitivo Particípio Regular (Ter/Haver) Particípio Irregular (Ser/Estar)
Aceitar Aceitado Aceito
Entregar Entregado Entregue
Imprimir Imprimido Impresso
Eleger Elegido Eleito

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] O emprego do duplo particípio é uma das maiores armadilhas em questões de correção gramatical e reescrita. O erro clássico consiste em usar o particípio curto com o auxiliar ter (ex: "tinha chego" em vez de "tinha chegado"). Em contexto de prova, a forma mais segura é identificar o verbo auxiliar antes de selecionar a forma do particípio. Note que verbos como abrir, escrever e fazer possuem apenas o particípio irregular (aberto, escrito, feito), sendo incorreto o uso de formas regulares inexistentes.

3. Verbos Defectivos e Impessoais

Os verbos defectivos são aqueles que não possuem conjugação completa, apresentando lacunas em certas pessoas, tempos ou modos. Um exemplo notável é o verbo abolir, que é defectivo e não possui a primeira pessoa do singular do presente do indicativo (não se diz "eu abulo" ou "eu abolo"). Da mesma forma, o verbo colorir não possui a primeira pessoa do singular do presente do indicativo.

Os verbos impessoais, embora não sejam estritamente defectivos por falha paradigmática, são conjugados apenas na terceira pessoa do singular por não possuírem sujeito. Os casos mais cobrados em provas incluem o verbo haver no sentido de existir ou acontecer ("Houve muitos problemas.") e os verbos que indicam fenômenos da natureza ou tempo decorrido, como fazer ("Faz dez anos.").

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A impessoalidade verbal é cobrada em questões de concordância. A banca costuma inserir o verbo haver no plural ("Houveram erros") como distrator. O candidato deve lembrar que a impessoalidade do verbo principal contamina o auxiliar em locuções verbais, exigindo a forma singular: "Deve haver soluções".


Vozes do Verbo: relação entre sujeito e ação verbal

A voz verbal indica a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo. Na língua portuguesa, o verbo pode se apresentar em três vozes fundamentais: ativa, passiva e reflexiva. A compreensão dessas vozes é o pré-requisito para a conversão sintática, para a concordância verbal rigorosa e para o emprego correto do pronome apassivador.

1. Voz Ativa e Voz Passiva Analítica

Na voz ativa, o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele quem pratica o ato expresso pelo verbo. O complemento, quando existe, é o objeto direto ou indireto. Exemplo: "A diretoria aprovou as novas diretrizes."

Na voz passiva analítica, o sujeito torna-se o paciente, sofrendo a ação verbal. A estrutura obrigatória exige o verbo auxiliar ser (ou eventuais auxiliares de estado como estar e ficar) no mesmo tempo e modo do verbo da voz ativa, seguido do particípio do verbo principal. O agente da passiva, quando explícito, é introduzido pela preposição por (ou suas contrações). Exemplo: "As novas diretrizes foram aprovadas pela diretoria."

2. Voz Passiva Sintética (ou Pronominal)

A voz passiva sintética é formada por um Verbo Transitivo Direto (VTD) (ou VTDI) acompanhado do pronome oblíquo átono se, que atua como partícula apassivadora. O termo que seria o objeto direto na voz ativa assume a função de sujeito paciente, ditando a concordância verbal.

  • Sujeito no singular: "Vende-se o apartamento." (O apartamento é vendido).
  • Sujeito no plural: "Vendem-se apartamentos." (Apartamentos são vendidos).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre a voz passiva sintética e o sujeito indeterminado é a maior armadilha em questões de concordância verbal. A regra fatal é: apenas verbos transitivos diretos (VTD) formam a voz passiva sintética e, portanto, concordam no plural se o sujeito paciente estiver no plural. Se o verbo for Transitivo Indireto (VTI), Intransitivo (VI) ou de Ligação (VL), o pronome se será apenas índice de indeterminação do sujeito, e o verbo ficará obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Exemplo de erro clássico em provas: "Precisam-se de funcionários." (O correto é "Precisa-se de funcionários.", pois precisar é VTI).

3. Voz Reflexiva e Recíproca

Na voz reflexiva, o sujeito é, simultaneamente, agente e paciente da ação. O verbo é acompanhado de um pronome oblíquo átono reflexivo (me, te, se, nos, vos). Exemplo: "O analista preparou-se para a audiência."

Na voz reflexiva recíproca, a ação é mútua entre dois ou mais sujeitos. Exemplo: "Os sócios entenderam-se rapidamente."

4. Conversão de Vozes e Correlação Temporal

Ao transpor uma oração da voz ativa para a passiva analítica, a correlação temporal do verbo auxiliar ser deve espelhar exatamente o tempo do verbo original:

Correlação temporal na conversão de vozes
Verbo na Voz Ativa Verbo Auxiliar na Voz Passiva Analítica Exemplo de Conversão
Presente do Indicativo Presente do Indicativo (é/são) "O juiz anula o voto." ➔ "O voto é anulado pelo juiz."
Pretérito Perfeito Pretérito Perfeito (foi/foram) "O juiz anulou o voto." ➔ "O voto foi anulado pelo juiz."
Futuro do Presente Futuro do Presente (será/serão) "O juiz anulará o voto." ➔ "O voto será anulado pelo juiz."

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] Bancas como FGV e Cebraspe frequentemente cobram a reescrita de períodos exigindo a transposição de vozes. O erro mais comum é alterar o tempo verbal do auxiliar, quebrando a correlação temporal, ou inserir o agente da passiva de forma inadequada na voz passiva sintética (o que é gramaticalmente proibido).


Emprego dos Pronomes: pessoais, de tratamento e oblíquos átonos

Os pronomes pessoais e de tratamento estabelecem as pessoas do discurso e garantem a coesão referencial. O emprego rigoroso dos pronomes oblíquos átonos depende diretamente da transitividade verbal e das regras de colocação pronominal.

1. Pronomes Pessoais Retos e Oblíquos

Os pronomes retos (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) exercem primordialmente a função de sujeito ou predicativo do sujeito. É considerado erro grave na norma culta utilizar o pronome reto como objeto de um verbo ou preposição.

  • Erro normativo: "Encontrei ele na rua." (Pronome reto funcionando como objeto direto).
  • Correção culta: "Encontrei-o na rua." (Pronome oblíquo átono).
  • Após preposição: "O documento foi entregue a mim." (Uso do pronome oblíquo tônico, e não "para eu" quando não houver verbo no infinitivo subsequente).

2. Pronomes Oblíquos o/a versus lhe

A escolha do pronome oblíquo átono de 3ª pessoa é ditada pela regência do verbo:

  • o, a, os, as: Substituem o Objeto Direto (complemento de Verbo Transitivo Direto - VTD). Exemplo: "O diretor leu o relatório." ➔ "O diretor leu-o."
  • lhe, lhes: Substituem o Objeto Indireto (complemento de Verbo Transitivo Indireto - VTI regido pelas preposições a ou para, referindo-se a pessoas). Exemplo: "O diretor obedeceu ao chefe." ➔ "O diretor obedeceu-lhe."

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A confusão entre o/a e lhe é uma das falhas mais penalizadas em provas de reescrita e correção gramatical. A pegadinha clássica consiste em usar o pronome lhe para substituir o objeto direto de verbos como ver, assistir (no sentido de ver) ou namorar. Lembre-se: lhe nunca substitui adjunto adverbial de lugar (usa-se onde ou a ele/ela) nem objeto direto de coisa.

3. Adaptações Fonéticas dos Oblíquos o/a

Quando os pronomes o, a, os, as sucedem verbos terminados em consoantes específicas ou ditongos nasais, eles sofrem adaptações fonéticas obrigatórias na norma-padrão:

  • Verbos terminados em -r, -s ou -z: A consoante final é suprimida e o pronome assume as formas -lo, -la, -los, -las.
    Exemplo: "Vamos fazer o trabalho." ➔ "Vamos fazê-lo."
    Exemplo: "O juiz pôs o réu em liberdade." ➔ "O juiz pô-lo em liberdade."
  • Verbos terminados em ditongo nasal (-ão, -õe, -am, -em): O pronome assume as formas -no, -na, -nos, -nas.
    Exemplo: "Eles fizeram o pedido." ➔ "Eles fizeram-no."
    Exemplo: "O gerente põe o documento na mesa." ➔ "O gerente põe-no na mesa."

4. Pronomes de Tratamento e a Concordância na 3ª Pessoa

Os pronomes de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, etc.), embora se refiram à 2ª pessoa do discurso (o interlocutor), exigem que toda a concordância verbal e pronominal seja feita rigorosamente na 3ª pessoa.

  • Possessivos: Utiliza-se seu, sua, seus, suas. Exemplo: "Vossa Excelência apresentou seu projeto."
  • Oblíquos: Utiliza-se o, a, os, as, lhe, lhes, se, si, consigo. Exemplo: "Convido Vossa Senhoria para seu discurso, e peço que o faça agora."
  • Alteração para "Sua": Quando se fala sobre a autoridade (3ª pessoa), o pronome de tratamento muda de Vossa para Sua. Exemplo: "Sua Excelência, o Ministro, já chegou."

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A uniformidade de tratamento é cobrada em questões de coesão textual. O erro ocorre quando o texto inicia com um pronome de tratamento na 3ª pessoa e, em seguida, desliza para a 2ª pessoa (usando teu, ti, contigo ou verbos conjugados na 2ª pessoa). Em contexto de prova, mantenha a uniformidade estrita na 3ª pessoa.


Pronomes Possessivos e Demonstrativos: coesão referencial e ambiguidade

Os pronomes possessivos e demonstrativos são ferramentas primordiais para a coesão textual. Eles estabelecem relações de posse, situam o discurso no espaço e no tempo, e recuperam ou antecipam termos no interior do texto. O uso inadequado dessas classes gramaticais gera ambiguidade estrutural e compromete a clareza da comunicação, sendo alvo frequente de questões de reescrita e interpretação em avaliações de alto nível.

1. Pronomes Possessivos e o risco da ambiguidade estrutural

Os pronomes possessivos (meu, teu, seu, nosso, vosso e suas flexões) indicam a pessoa do discurso a quem pertence o ser ou objeto referido. O grande problema normativo e semântico reside no uso dos pronomes da 3ª pessoa (seu, sua, seus, suas), que podem gerar ambiguidade quando há mais de um possível possuidor na oração.

  • Frase Ambígua: "O diretor disse ao funcionário que seu projeto havia sido reprovado." (O projeto pertence ao diretor ou ao funcionário? A estrutura não permite definir).
  • Correção por Clareza: Para eliminar a ambiguidade, a norma culta recomenda a substituição pelo pronome oblíquo tônico ou preposicionado correspondente. "O diretor disse ao funcionário que o projeto dele havia sido reprovado." (Se for do funcionário) ou "...que o próprio projeto do diretor...".

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A ambiguidade pronominal é cobrada em questões que exigem a identificação de "frases com duplo sentido" ou "problemas de coesão". O candidato deve identificar o possessivo seu/sua como o vetor da ambiguidade e selecionar a alternativa que o substitui por dele/dela ou reestrutura a oração para garantir a univocidade.

2. Pronomes Demonstrativos: espaço, tempo e coesão textual

Os pronomes demonstrativos (este, esse, aquele e suas flexões, além dos invariáveis isto, isso, aquilo) organizam o texto em três dimensões: espacial, temporal e referencial (coesão).

Quadro de emprego dos pronomes demonstrativos
Dimensão Este / Isto Esse / Isso Aquele / Aquilo
Espacial Perto de quem fala. Perto de com quem se fala. Longe de ambos.
Temporal Presente ou futuro próximo. Passado recente. Passado distante.
Textual (Coesão) Catáfora: antecipa o que será dito. Anáfora: retoma o que já foi dito. Retoma elemento distante no texto.

3. A regra de ouro da coesão textual: retomada de dois antecedentes

Quando o período apresenta dois substantivos (ou orações) anteriormente citados e o autor precisa retomar ambos para atribuir-lhes características distintas, utiliza-se a seguinte regra de distribuição:

  • Este (e flexões): retoma o termo mais próximo (o último citado).
  • Aquele (e flexões): retoma o termo mais distante (o primeiro citado).

Exemplo validado: "O Brasil e Portugal mantêm laços históricos; este localiza-se na Europa, aquele na América do Sul." (Note que este retoma Portugal, por estar mais próximo no texto, e aquele retoma o Brasil).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A distinção entre este (catáfora / termo próximo) e esse (anáfora / termo distante) é um dos pilares da coesão textual cobrados em provas da FGV, Cebraspe e FCC. A pegadinha clássica consiste em usar esse para introduzir uma ideia que ainda não foi apresentada no texto, o que viola a norma culta.


Pronomes Relativos: introdução de orações adjetivas e funções sintáticas

Os pronomes relativos (que, quem, o qual, cujo, onde) são conectivos que introduzem orações subordinadas adjetivas. Eles possuem uma dupla função estrutural: retomam um termo anterior (o antecedente) e atuam como um termo sintático dentro da oração que introduzem. O domínio de sua regência e de suas restrições semânticas é obrigatório para a produção e análise de períodos compostos.

1. O pronome relativo e sua função sintática interna

Um erro comum é achar que o pronome relativo não tem função sintática. Na verdade, para descobrir a função sintática do pronome relativo, deve-se isolar a oração adjetiva, substituir o pronome pelo seu antecedente e analisar a função que ele exerce nela.

  • Exemplo 1 (Sujeito): "O analista que redigiu o parecer foi promovido." (Quem redigiu? O analista. Logo, o pronome que exerce a função de sujeito da oração adjetiva).
  • Exemplo 2 (Objeto Direto): "O parecer que o analista redigiu foi aceito." (O analista redigiu o quê? O parecer. Logo, o pronome que é objeto direto).

2. Regras restritivas de emprego: Cujo, Quem e Onde

Embora o pronome que seja o mais versátil, a norma-padrão impõe regras rígidas para o uso de outros relativos específicos:

  • Cujo (e flexões): Indica posse entre o antecedente e o substantivo que o segue.
    Regra fatal 1: Nunca é seguido de artigo.
    Regra fatal 2: Concorda em gênero e número com o substantivo subsequente (o termo possuído), e não com o antecedente.
    Exemplo: "A empresa cujos diretores foram indiciados fechou as portas." (Correto. Errado: "cujos os diretores").
  • Quem: Utilizado exclusivamente para pessoas (ou entidades personificadas). Se exercer função de complemento, será obrigatoriamente precedido de preposição.
    Exemplo: "A testemunha a quem o advogado se referiu mentiu." (Quem se refere, se refere a alguém).
  • Onde: Utilizado estritamente para indicar lugar físico. Equivale a em que ou no qual.
    Exemplo: "O prédio onde o tribunal funciona será reformado."
    Se houver ideia de movimento (destino), usa-se aonde (preposição a + onde). Exemplo: "A cidade aonde viajaremos é fria."
    Se houver ideia de procedência (origem), usa-se donde (preposição de + onde).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] O emprego do pronome cujo e a restrição semântica do pronome onde são as maiores armadilhas em questões de gramática aplicada. Bancas examinadoras inserem o artigo após o cujo (ex: "cujo o mérito") ou utilizam o onde para retomar substantivos abstratos ou situações que não indicam lugar físico (ex: "A situação onde me encontro" — o correto seria "em que" ou "na qual"). Em contexto de prova, a forma mais segura é validar se o antecedente é um lugar físico antes de marcar alternativas com onde.


Pronomes Indefinidos e Interrogativos: imprecisão semântica e flexões atípicas

Os pronomes indefinidos referem-se à 3ª pessoa do discurso de maneira vaga, imprecisa ou genérica. Eles podem atuar como pronomes substantivos (substituindo o nome) ou pronomes adjetivos (acompanhando e modificando o nome). A compreensão de seus valores semânticos e de suas particularidades de flexão é essencial para a coesão textual e para a resolução de questões de interpretação e reescrita.

1. A posição do pronome algum e a inversão de sentido

O pronome indefinido algum apresenta uma particularidade sintática rigorosa na norma-padrão: o seu valor semântico (afirmativo ou negativo) é ditado estritamente pela sua posição em relação ao substantivo que modifica.

  • Antes do substantivo (valor afirmativo): Equivale a "um", "certo". "Algum funcionário chegou mais cedo hoje." (Significa que um funcionário chegou).
  • Depois do substantivo (valor negativo): Equivale a "nenhum". "Funcionário algum chegou mais cedo hoje." (Significa que nenhum funcionário chegou, havendo inversão sintática e ênfase na negação).

2. Flexões atípicas e armadilhas de concordância

Alguns pronomes indefinidos apresentam plurais irregulares ou restrições de flexão que são alvos frequentes em provas de gramática aplicada:

  • Qualquer: O plural desta palavra ocorre no interior do vocábulo, resultando em quaisquer. "Aceitamos quaisquer propostas de melhoria." (É erro grave escrever "qualqueres").
  • Algo e Alguém: São invariáveis e atuam exclusivamente como pronomes substantivos. "Alguém deixou a porta aberta."
  • Certo: Quando anteposto ao substantivo, é pronome indefinido. "Certo dia, tudo mudou." Quando posposto, atua como adjetivo (sinônimo de "correto"). "O resultado foi certo."

3. Pronomes Interrogativos

Os pronomes interrogativos (quem, que, qual, quanto) são utilizados para formular perguntas diretas ou indiretas, referindo-se sempre à 3ª pessoa. A banca examinadora costuma explorar a função sintática que esses pronomes exercem na oração interrogativa.

  • "Quem assinou o documento?" (O pronome Quem exerce a função de sujeito).
  • "Que medidas foram tomadas?" (O pronome Que exerce a função de adjunto adnominal).
  • "A qual departamento devemos enviar?" (O pronome qual, precedido de preposição, exerce a função de objeto indireto).

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A inversão semântica do pronome algum e o plural de qualquer (quaisquer) são cobranças clássicas em questões de múltipla escolha e reescrita. O erro mais comum é o candidato não perceber que "Funcionário algum" equivale a "Nenhum funcionário", alterando completamente a lógica do texto original.


Colocação Pronominal: ênclise, mesóclise e proibições normativas

A colocação pronominal estuda a posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) em relação ao verbo. A norma-padrão da língua portuguesa impõe regras rígidas de posicionamento, ditadas por fatores de atração sintática, tempos verbais e proibições estruturais.

1. Ênclise: a posição básica e o imperativo

A ênclise (pronome após o verbo) é considerada a posição básica e preferencial na norma culta, especialmente no início de períodos ou após sinais de pontuação que indiquem pausa.

  • Início de oração: "Entregaram-me o relatório final."
  • Após vírgula ou ponto: "Se o prazo expirou, avise-me imediatamente." (O "Se" atrai o pronome na primeira oração, mas a vírgula quebra a atração para a segunda).
  • Imperativo Afirmativo: A regra é estrita; o pronome deve vir obrigatoriamente em ênclise. "Caros alunos, sentem-se e abram os livros."

2. Mesóclise: exclusividade dos tempos futuros

A mesóclise (pronome no interior do verbo) é um recurso morfológico exclusivo e obrigatório quando o verbo está conjugado no Futuro do Presente ou no Futuro do Pretérito do indicativo, desde que não haja nenhum fator de atração (palavra atrativa) antes do verbo que force a próclise.

  • Futuro do Presente: "Os diretores avaliar-me-ão na próxima semana."
  • Futuro do Pretérito: "Eu far-lhe-ia o favor, se pudesse."

Se houver uma palavra atrativa (como um advérbio ou pronome relativo) antes do verbo no futuro, a mesóclise é proibida e ocorre a próclise: "Eles não me avaliarão." (Errado: "não avaliar-me-ão").

3. A proibição fatal e as formas nominais

A regra mais conhecida e cobrada da colocação pronominal é a proibição de iniciar oração com pronome oblíquo átono na norma culta. Frases como "Me diga a verdade." ou "Te vejo amanhã." são marcas da oralidade e constituem erro grave em redações oficiais e provas.

O comportamento do pronome com as formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio) também exige rigor:

  • Infinitivo: Aceita ênclise ou próclise. A ênclise é preferida, especialmente se regido pela preposição a. "Estou disposto a ouvir-te."
  • Gerúndio: Aceita ênclise ou próclise. Se precedido pela preposição em, a próclise é obrigatória. "Em se tratando de finanças, ele é expert."
  • Particípio: O particípio nunca aceita pronome oblíquo átono ligado diretamente a ele. O pronome deve ligar-se ao verbo auxiliar. "Eu o tenho avisado." (Correto). "Eu tenho avisado-o." (Erro gramatical severo).

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A proibição de iniciar oração com pronome átono e a regra do particípio (que rejeita o pronome) são as maiores armadilhas em questões de correção gramatical. Bancas como FGV e Cebraspe inserem alternativas com ênclise no particípio (ex: "tinha enviado-lhe") ou mesóclise após palavra negativa (ex: "não enviar-lhe-ia") para testar o rigor normativo do candidato.


Colocação Pronominal: Próclise e Fatores de Atração Obrigatória

A próclise consiste na colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo. Na norma-padrão da língua portuguesa, a próclise não é uma escolha estilística livre; ela é obrigatória sempre que houver na oração um fator de atração sintática que preceda o verbo e não esteja separado dele por pausa (vírgula ou ponto). A identificação desses fatores é o núcleo das questões de colocação pronominal em avaliações de alto nível.

1. Palavras de valor negativo e advérbios

As palavras que exprimem negação e os advérbios (ou locuções adverbiais) possuem forte poder de atração, puxando o pronome para antes do verbo, desde que não haja pausa entre eles.

  • Palavras negativas: "Nunca a encontrei tão bela e serena." / "Ninguém o questiona aqui." (A presença de nunca e ninguém exige a próclise).
  • Advérbios e locuções: "Sempre me disseram a verdade." / "Talvez o encontremos amanhã." / "Aos poucos, já me parecia mais familiar." (Atenção: se houver vírgula após o advérbio, a atração é quebrada e ocorre a ênclise: "Desde cedo, notou-se sua genialidade.").

2. Pronomes e Conjunções Subordinativas

Pronomes relativos, pronomes indefinidos, pronomes interrogativos e conjunções subordinativas inauguram orações que atraem o pronome oblíquo para a posição proclítica.

  • Pronomes Relativos e Indefinidos: "O livro que me emprestaste é ótimo." / "Alguém lhe carregue daqui."
  • Pronomes Interrogativos: "Quem me enviou esse presente?" / "Por que te entregas a ele?"
  • Conjunções Subordinativas: "Quando me vesti, ela já me esperava." / "Espero que me avises com antecedência."

3. Orações Exclamativas, Optativas e a Preposição "Em"

A carga emotiva de certas orações e a estrutura de gerúndio preposicionado também ditam a próclise obrigatória.

  • Orações Exclamativas ou Optativas (desejo): "Que Deus me acuda!" / "Bons ventos te levem!"
  • Preposição em + Gerúndio: A contração da preposição em com o gerúndio atrai o pronome. "Em se tratando de finanças, ele é expert." / "Nisso não está lhe fazendo bem."

🔴 [ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A quebra de atração por pontuação é uma das pegadinhas mais letais elaboradas por bancas como FGV e Cebraspe. Se a alternativa apresentar um advérbio ou adjunto adverbial deslocado seguido de vírgula, a próclise torna-se um erro gramatical, sendo a ênclise a única forma aceita. Exemplo de erro: "Ontem, me disseram..." (O correto é "Ontem, disseram-me...").


Colocação em Locuções Verbais e Formas Nominais

As locuções verbais (verbo auxiliar + forma nominal do verbo principal) e o comportamento dos pronomes diante de infinitivos, gerúndios e particípios exigem um mapeamento rigoroso das proibições e faculdades normativas.

1. A Regra Fatal do Particípio

O particípio passado (terminado em -do) nunca aceita pronome oblíquo átono ligado diretamente a ele, nem por ênclise, nem por próclise. O pronome deve obrigatoriamente ligar-se ao verbo auxiliar.

  • Correto (Ênclise no auxiliar): "Tenho-o visitado diariamente."
  • Correto (Próclise no auxiliar por fator de atração): "Não o tenho visitado."
  • Erro Gramatical Severo: "Tenho visitado-o." ou "Tenho o visitado." (A próclise solta antes do particípio, sem auxiliar, é rejeitada na norma culta estrita; o pronome deve preceder o auxiliar se houver atração, ou sucedê-lo).

2. Infinitivo e Gerúndio

Diferentemente do particípio, o infinitivo e o gerúndio aceitam tanto a próclise quanto a ênclise. No entanto, há preferências e regras de regência específicas:

  • Infinitivo Preposicionado: Se o infinitivo for regido pela preposição a e o pronome for o/a, a norma culta prefere fortemente a ênclise. "Se me ouvisse, não continuaria a mimá-lo."
  • Gerúndio: Aceita ênclise normalmente. "O policial veio interrogar-me." (Locução verbal). Se houver a preposição em, ocorre a próclise obrigatória, como visto anteriormente.

3. Posição do Pronome nas Locuções Verbais

Nas locuções verbais, a mobilidade do pronome depende da presença de fatores de atração e da forma nominal do verbo principal:

Colocação pronominal em locuções verbais
Estrutura da Locução Com Fator de Atração Sem Fator de Atração
Auxiliar + Infinitivo/Gerúndio Próclise ao auxiliar ou ao principal. "Não o quero ver." / "Não quero vê-lo." Ênclise ao auxiliar ou ao principal. "Quero-o ver." / "Quero vê-lo."
Auxiliar + Particípio Próclise ao auxiliar. "Não o tenho visto." Ênclise ao auxiliar. "Tenho-o visto." (Proibido ligar ao particípio).

🟡 [ALTA/MÉDIA IMPORTÂNCIA EM PROVAS/CONCURSOS] A cobrança sobre locuções verbais foca quase exclusivamente na proibição de ênclise no particípio e na faculdade de posição quando o verbo principal está no infinitivo ou gerúndio. Em questões de "assinale a alternativa correta", elimine imediatamente qualquer opção que apresente pronome oblíquo enclítico ou proclítico solto imediatamente antes de um particípio sem verbo auxiliar.


Mapa Mental: Verbos, Pronomes e Colocação

  • Emprego de Verbos e Vozes
    • Abundantes: Duplo particípio. Regular (-do) com ter/haver. Irregular (curto) com ser/estar.
    • Voz Passiva Analítica: Verbo ser + particípio. Sujeito paciente concorda com o verbo.
    • Voz Passiva Sintética: VTD + se (partícula apassivadora). Verbo concorda com o sujeito paciente.
    • Sujeito Indeterminado: VTI/VI + se. Verbo obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular.
    • 🔴 Prova: Conversão de vozes e concordância com a partícula se.
  • Pronomes e Coesão
    • Pessoais: o/a para VTD. lhe para VTI (pessoas). Retos não funcionam como objeto.
    • Adaptações: -r, -s, -z + o/a = -lo/la. Ditongo nasal + o/a = -no/na.
    • Demonstrativos: Este (catáfora/próximo). Esse (anáfora/distante). Aquele (passado remoto/mais distante).
    • Relativos: Cujo (sem artigo posterior). Onde (apenas lugar físico). Preposição antes do relativo.
    • 🔴 Prova: Ambiguidade com seu/sua e regência do cujo.
  • Colocação Pronominal
    • Ênclise: Posição básica. Início de oração, após pausa, imperativo afirmativo.
    • Mesóclise: Exclusiva para Futuro do Presente/Pretérito, sem fator de atração.
    • Próclise (Atração): Palavras negativas, advérbios (sem pausa), pronomes relativos/interrogativos, conjunções subordinativas.
    • Locuções: Particípio nunca recebe pronome. Infinitivo preposicionado com a prefere ênclise.
    • 🔴 Prova: Proibição de iniciar oração com pronome átono e quebra de atração por vírgula.

Conclusão

O domínio morfossintático dos verbos e dos pronomes transcende a simples memorização de regras; ele constitui a base da clareza, da coesão e da precisão semântica na língua portuguesa. A correta identificação da transitividade verbal dita não apenas a regência e a escolha dos pronomes oblíquos (o/a versus lhe), mas também a viabilidade da voz passiva e a concordância com a partícula apassivadora. Da mesma forma, a colocação pronominal opera como um sistema de engrenagens sintáticas, onde a presença de fatores de atração, a natureza das formas nominais e a pontuação determinam o posicionamento rígido dos oblíquos átonos.

Na prática de resolução de provas e na revisão de textos oficiais, o estudante e o profissional devem adotar uma abordagem analítica: isolar o verbo para verificar sua predicação, observar a presença de vírgulas que anulem a atração pronominal e validar a correlação temporal nas transposições de voz. O erro mais recorrente e severamente penalizado em certificações de alto nível reside na flexão inadequada do particípio em verbos abundantes, na atribuição de função de objeto direto ao pronome lhe e na tentativa de anexar pronomes oblíquos diretamente a particípios passados. A vigilância quanto a essas armadilhas estruturais garante a conformidade absoluta com a norma-padrão.


Questões:

Questão 1 — Regência Verbal e Pronomes Oblíquos

Banca: FGV | Cargo: Analista Administrativo | Perfil: Transitividade verbal contextual e substituição pronominal.

Assinale a alternativa em que a substituição do termo destacado pelo pronome oblíquo átono está em estrita conformidade com a norma-padrão, respeitando a regência do verbo no contexto.

  • A) "O jovem aspirava à vaga de auditor." ➔ O jovem aspirava-a.
  • B) "O médico assistiu o paciente na emergência." ➔ O médico assistiu-o.
  • C) "Nós assistimos ao documentário ontem." ➔ Nós assistimos-o.
  • D) "A empresa aspirou o ar do ambiente." ➔ A empresa aspirou-lhe.
  • E) "O diretor assistiu à reunião." ➔ O diretor assistiu-a.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa B.

  • A) Errada: "O jovem aspirava à vaga de auditor." - No sentido de almejar, o verbo aspirar é Transitivo Indireto (VTI) e exige a preposição a. O pronome oblíquo adequado para substituir VTI de pessoa ou coisa é o lhe (ou a repetição da preposição + pronome: a ela). O pronome a é exclusivo para Objeto Direto.
  • B) Correta: "O médico assistiu o paciente na emergência." - No sentido de prestar assistência ou ajudar, o verbo assistir é Transitivo Direto (VTD). O complemento é Objeto Direto e deve ser substituído pelo pronome oblíquo o (ou suas variações). A substituição por assistiu-o está tecnicamente impecável.
  • C) Errada: "Nós assistimos ao documentário ontem." - No sentido de ver ou presenciar, o verbo assistir é VTI. O pronome o não pode substituir Objeto Indireto. O correto seria assistimos-lhe ou assistimos a ele.
  • D) Errada: "A empresa aspirou o ar do ambiente." - No sentido de sorver ou respirar, o verbo aspirar é VTD. O pronome lhe é exclusivo para VTI. O correto seria aspirou-o.
  • E) Errada: "O diretor assistiu à reunião." - No sentido de presenciar, é VTI. O pronome a é para VTD. O correto seria assistiu-lhe ou assistiu a ela.

Questão 2 — Vozes do Verbo e a Partícula "SE"

Banca: Cebraspe (Adaptada) | Cargo: Auditor de Controle Externo | Perfil: Distinção entre voz passiva sintética e sujeito indeterminado.

Assinale a alternativa em que a concordância verbal, no que tange ao emprego da partícula se, está em estrita conformidade com a norma-padrão.

  • A) "Precisam-se de analistas de controle externo com experiência."
  • B) "Alugam-se apartamentos para a temporada de verão."
  • C) "Confiam-se em profissionais dedicados à instituição."
  • D) "Assistiram-se a todos os jogos do campeonato municipal."
  • E) "Necessitam-se de novas diretrizes para o setor público."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa B.

  • A) Errada: "Precisam-se de analistas..." - O verbo precisar, regido pela preposição de, é Transitivo Indireto (VTI). Nesse caso, a partícula se atua como índice de indeterminação do sujeito, e o verbo deve permanecer obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. O correto é "Precisa-se de analistas...".
  • B) Correta: "Alugam-se apartamentos..." - O verbo alugar é Transitivo Direto (VTD). A partícula se atua como pronome apassivador, configurando a voz passiva sintética. O termo apartamentos é o sujeito paciente, e o verbo deve concordar com ele no plural. A construção equivale a "Apartamentos são alugados".
  • C) Errada: "Confiam-se em profissionais..." - O verbo confiar é VTI (exige a preposição em). A partícula se é índice de indeterminação do sujeito, exigindo o verbo no singular. O correto é "Confia-se em profissionais...".
  • D) Errada: "Assistiram-se a todos os jogos..." - O verbo assistir, no sentido de ver ou presenciar, é VTI (exige a preposição a). O sujeito é indeterminado e o verbo deve ficar no singular. O correto é "Assistiu-se a todos os jogos...".
  • E) Errada: "Necessitam-se de novas diretrizes..." - O verbo necessitar é VTI (exige a preposição de). A partícula se indetermina o sujeito, impedindo a flexão no plural. O correto é "Necessita-se de novas diretrizes...".

Questão 3 — Crase (Proibições e Obrigatoriedade)

Banca: FCC | Cargo: Técnico Judiciário | Perfil: Identificação de casos de proibição e obrigatoriedade do acento grave indicativo de crase.

Assinale a alternativa em que o emprego do acento grave indicativo de crase está em estrita conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.

  • A) "O prazo para interposição do recurso começará à partir de segunda-feira."
  • B) "O oficial de justiça entregou a intimação à qualquer pessoa da família que estava no local."
  • C) "A sessão do tribunal plenário terá início, impreterivelmente, às quatorze horas."
  • D) "A petição de habeas corpus foi encaminhada à Vossa Excelência na manhã de ontem."
  • E) "O réu confessou a autoria do crime à ela durante o interrogatório policial."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa C.

  • A) Errada: "...começará à partir de..." - É terminantemente proibido o uso da crase antes de verbos e de locuções verbais ou adverbiais que se iniciem com a preposição a seguida de infinitivo ou verbo, como é o caso da locução a partir. O correto é apenas "a partir".
  • B) Errada: "...entregou a intimação à qualquer pessoa..." - Não ocorre crase antes de pronomes indefinidos, pois a grande maioria deles (como qualquer, alguma, nenhuma) rejeita o artigo definido feminino a. O correto é "a qualquer".
  • C) Correta: "...terá início, impreterivelmente, às quatorze horas." - A crase é obrigatória na indicação de horas determinadas, pois ocorre a fusão da preposição a (exigida pela locução "terá início" / "a que horas") com o artigo definido feminino as que antecede o numeral.
  • D) Errada: "...foi encaminhada à Vossa Excelência..." - É proibido o uso da crase antes da maioria dos pronomes de tratamento (como Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade), uma vez que eles rejeitam o artigo definido. As únicas exceções são Senhora e Senhorita. O correto é "a Vossa Excelência".
  • E) Errada: "...confessou a autoria do crime à ela..." - Não ocorre crase antes de pronomes pessoais (do caso reto ou oblíquo), pois eles não admitem artigo definido. O correto é "a ela".

Questão 4 — Colocação Pronominal (Particípio e Quebra de Atração)

Banca: VUNESP | Cargo: Assistente de Gestão | Perfil: Regras de ênclise no particípio passado e o papel da vírgula na quebra de fatores de próclise.

Assinale a alternativa em que a colocação do pronome oblíquo átono respeita integralmente as regras da norma-padrão, considerando as locuções verbais e a pontuação.

  • A) "A equipe de auditoria havia preparado-se minuciosamente para a inspeção."
  • B) "Ontem, nos comunicaram o cancelamento definitivo do evento."
  • C) "O documento sigiloso que entregaram-me estava com o lacre rompido."
  • D) "Assim que o diretor entrou na sala, levantaram-se todos os presentes."
  • E) "Não haviam avisado-me sobre a alteração no cronograma de pagamentos."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa D.

  • A) Errada: "A equipe de auditoria havia preparado-se..." - Regra fatal da norma culta: o pronome oblíquo átono nunca pode se ligar (em ênclise) a um verbo no particípio passado. Em locuções verbais, o pronome deve ligar-se ao verbo auxiliar. O correto seria "havia-se preparado" ou, havendo fator de atração, "se havia preparado".
  • B) Errada: "Ontem, nos comunicaram..." - Embora o advérbio ontem seja um fator de atração para a próclise, a presença da vírgula indica uma pausa que quebra essa atração. Sem a atração, o verbo inicia a oração, exigindo a ênclise. O correto é "Ontem, comunicaram-nos".
  • C) Errada: "O documento sigiloso que entregaram-me..." - O pronome relativo que é um forte fator de atração, exigindo obrigatoriamente a próclise. A vírgula não está presente para quebrar a atração. O correto é "que me entregaram".
  • D) Correta: "Assim que o diretor entrou na sala, levantaram-se todos os presentes." - A oração subordinada adverbial temporal ("Assim que o diretor entrou na sala") termina com vírgula. Essa pontuação separa as orações e impede que qualquer palavra da oração anterior atraia o pronome da oração principal. Como o verbo levantaram inicia a oração principal, a ênclise é obrigatória e está perfeitamente aplicada.
  • E) Errada: "Não haviam avisado-me..." - A palavra negativa Não atrai o pronome oblíquo para antes do verbo auxiliar na locução verbal. Além disso, como já visto na alternativa A, o pronome não pode se ligar ao particípio. O correto é "Não me haviam avisado".

Questão 5 — Pronomes Oblíquos e Adaptações Fonéticas

Banca: FGV | Cargo: Analista de Sistemas | Perfil: Substituição pronominal, distinção entre objeto direto e indireto e regras de adaptação fonética dos oblíquos átonos.

Assinale a alternativa em que a substituição do termo destacado pelo pronome oblíquo átono está em estrita conformidade com a norma-padrão, respeitando a transitividade verbal e as adaptações fonéticas obrigatórias.

  • A) "O analista irá fazer o código." ➔ O analista irá fazê-lo.
  • B) "O supervisor mandou chamar o funcionário." ➔ O supervisor mandou chamar-lhe.
  • C) "A diretoria decidiu obedecer o regimento." ➔ A diretoria decidiu obedecê-lo.
  • D) "O médico prometeu assistir o doente." ➔ O médico prometeu assistir-lhe.
  • E) "O cliente foi pagar o boleto." ➔ O cliente foi pagar-lhe.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa A.

  • A) Correta: "O analista irá fazer o código." - O verbo fazer é Transitivo Direto (VTD), logo seu complemento é Objeto Direto e deve ser substituído pelo pronome o. Como o verbo auxiliar termina em vogal e o verbo principal no infinitivo termina em -r, a regra fonética exige a queda do r final, o acréscimo de acento circunflexo na vogal tônica e a adição da forma -lo. A substituição por fazê-lo está tecnicamente impecável.
  • B) Errada: "O supervisor mandou chamar o funcionário." - No sentido de convocar, o verbo chamar é VTD. O pronome lhe é exclusivo para Objeto Indireto. A forma correta seria chamá-lo.
  • C) Errada: "A diretoria decidiu obedecer o regimento." - O verbo obedecer é Transitivo Indireto (VTI) e exige a preposição a. O pronome adequado para substituir o complemento seria o lhe (obedecer-lhe), e não o pronome de objeto direto o. A própria frase original já contém um erro de regência ao não usar a preposição.
  • D) Errada: "O médico prometeu assistir o doente." - No sentido de prestar assistência ou ajudar, o verbo assistir é VTD. O complemento é Objeto Direto e exige o pronome o. A forma correta seria assisti-lo (com queda do 'r' e adaptação fonética).
  • E) Errada: "O cliente foi pagar o boleto." - O verbo pagar, quando o complemento é a "coisa" paga (o boleto), é VTD. O pronome lhe não pode ser utilizado. A forma correta seria pagá-lo.

Questão 6 — Pronomes Relativos: Regência e Restrições Semânticas

Banca: Cebraspe (Adaptada) | Cargo: Analista de Controle Externo | Perfil: Regência dos pronomes relativos, proibição de artigo subsequente ao "cujo" e restrição semântica do pronome "onde".

Assinale a alternativa em que o emprego do pronome relativo está em estrita conformidade com a norma-padrão, respeitando as regras de regência verbal, a proibição de artigo subsequente e a restrição semântica de lugar físico.

  • A) "O relatório, cujo o teor foi contestado pela auditoria, será reescrito."
  • B) "A crise financeira onde o país está inserido demanda reformas estruturais."
  • C) "O auditor cujo trabalho dependemos para concluir o processo foi transferido."
  • D) "A instituição em cujos princípios confiamos passou por uma rigorosa fiscalização."
  • E) "O parecer que o comitê aludiu durante a reunião foi arquivado."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa D.

  • A) Errada: "...cujo o teor..." - Regra fatal da norma culta: é terminantemente proibido o uso de artigo definido ou indefinido após o pronome relativo cujo. A forma correta seria apenas "cujo teor".
  • B) Errada: "A crise financeira onde..." - O pronome relativo onde só pode ser utilizado para retomar substantivos que indiquem lugar físico. "Crise financeira" é uma situação abstrata. O correto seria utilizar em que ou na qual.
  • C) Errada: "O auditor cujo trabalho dependemos..." - O verbo depender é Transitivo Indireto e exige a preposição de (quem depende, depende de algo/alguém). A preposição deve ser atraída para antes do pronome relativo. A forma correta seria "de cujo trabalho dependemos".
  • D) Correta: "A instituição em cujos princípios confiamos..." - O verbo confiar (no sentido de ter fé/confiança) é VTI e rege a preposição em. A preposição foi corretamente deslocada para antes do relativo (em). O pronome cujos concorda em gênero e número com o substantivo subsequente (princípios) e não é seguido de artigo. A construção está perfeita.
  • E) Errada: "O parecer que o comitê aludiu..." - O verbo aludir é Transitivo Indireto e exige a preposição a (quem alude, alude a algo). Faltou a preposição antes do pronome relativo. A forma correta seria "a que o comitê aludiu" ou "ao qual o comitê aludiu".

Questão 7 — Verbos Abundantes e o Emprego do Particípio

Banca: IBFC | Cargo: Técnico Administrativo | Perfil: Regra de formação de tempos compostos e voz passiva com verbos de duplo particípio.

Assinale a alternativa em que o emprego do particípio do verbo abundante está em estrita conformidade com a norma-padrão, considerando o verbo auxiliar utilizado na locução verbal.

  • A) O tribunal havia eleito o novo desembargador na sessão de ontem.
  • B) As propostas orçamentárias foram aceitadas pela comissão de finanças.
  • C) O advogado tinha entregue a petição no protocolo geral do fórum.
  • D) O servidor havia imprimido todas as cópias do inquérito administrativo.
  • E) Os débitos tributários foram pagados pelo contribuinte antes do vencimento.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa D.

  • A) Errada: "O tribunal havia eleito..." - O verbo eleger é abundante e possui os particípios elegido (regular) e eleito (irregular). Na voz ativa, com os auxiliares ter ou haver, a norma culta exige o particípio regular longo. O correto é "havia elegido".
  • B) Errada: "As propostas... foram aceitadas..." - O verbo aceitar possui os particípios aceitado e aceito. Na voz passiva, com os auxiliares ser, estar ou ficar, exige-se o particípio irregular curto. O correto é "foram aceitas".
  • C) Errada: "O advogado tinha entregue..." - O verbo entregar é abundante (entregado / entregue). Com o auxiliar ter, na voz ativa, deve-se usar a forma regular. O correto é "tinha entregado".
  • D) Correta: "O servidor havia imprimido..." - O verbo imprimir possui os particípios imprimido e impresso. Na locução de voz ativa com o auxiliar haver, o uso do particípio regular imprimido é obrigatório e está perfeitamente aplicado.
  • E) Errada: "Os débitos... foram pagados..." - O verbo pagar possui os particípios pagado e pago. Na voz passiva analítica com o auxiliar ser (foram), exige-se a forma curta. O correto é "foram pagos".

Questão 8 — Regência Verbal ("Esquecer/Lembrar") e Regência Nominal

Banca: FCC | Cargo: Analista Judiciário | Perfil: Pronominalidade dos verbos esquecer/lembrar e preposições exigidas por adjetivos.

Assinale a alternativa que apresenta redação inteiramente conforme a norma-padrão no que tange à regência verbal dos verbos "esquecer" e "lembrar" e à regência nominal dos adjetivos empregados.

  • A) O magistrado esqueceu do prazo recursal, o que é altamente prejudicial ao andamento do processo.
  • B) Os advogados se lembraram de todos os detalhes da audiência, mostrando-se respeitosos com as partes.
  • C) A testemunha se esqueceu o nome do acusado, pois estava visivelmente nervosa no plenário.
  • D) Nós lembramos de que a sessão seria adiada, fato que é compatível a nova agenda do tribunal.
  • E) O juiz se lembrou o artigo da lei, mostrando-se acessível aos jurisdicionados presentes.
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa B.

  • A) Errada: "O magistrado esqueceu do prazo..." - O verbo esquecer, quando empregado sem pronome oblíquo (não pronominal), é Transitivo Direto e não aceita a preposição de. O correto seria "esqueceu o prazo" ou, na forma pronominal, "esqueceu-se do prazo". (A regência nominal de "prejudicial a" está correta, mas o erro verbal invalida a alternativa).
  • B) Correta: "Os advogados se lembraram de todos os detalhes... respeitosos com as partes." - O verbo lembrar, na forma pronominal (se lembraram), torna-se Transitivo Indireto e exige obrigatoriamente a preposição de. O adjetivo respeitoso rege a preposição com (ou para com). A construção está tecnicamente impecável.
  • C) Errada: "A testemunha se esqueceu o nome..." - Na forma pronominal, o verbo exige a preposição de. O correto é "se esqueceu do nome".
  • D) Errada: "Nós lembramos de que... compatível a nova agenda..." - Há dois erros. Primeiro: lembrar sem pronome é VTD, logo não aceita a preposição de (o correto é "lembramos que"). Segundo: o adjetivo compatível rege a preposição com, e não a (o correto é "compatível com a nova agenda").
  • E) Errada: "O juiz se lembrou o artigo..." - O verbo pronominal exige a preposição de. O correto é "se lembrou do artigo". (A regência nominal de "acessível a" está correta, mas o erro verbal invalida a opção).

Questão 9 — Crase (Facultatividade e a palavra "Distância")

Banca: VUNESP | Cargo: Agente de Organização | Perfil: Regras específicas da palavra "distância" e proibições absolutas da crase.

Assinale a alternativa em que o emprego do acento grave indicativo de crase está em estrita conformidade com a norma-padrão, respeitando as regras de determinação da palavra "distância" e as proibições gramaticais.

  • A) "O satélite capta imagens à distância, sem qualquer interferência."
  • B) "O posto de saúde fica à distância de quinhentos metros da praça."
  • C) "O auditor fez alusão à qualquer irregularidade no processo."
  • D) "A reunião está marcada à partir das quatorze horas."
  • E) "O parecer técnico foi favorável à ela durante a sessão."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa B.

  • A) Errada: "...capta imagens à distância..." - Quando a palavra distância não estiver determinada ou especificada, não ocorre crase. O correto é "a distância".
  • B) Correta: "...fica à distância de quinhentos metros..." - A crase é obrigatória quando a palavra distância estiver determinada, especificada (neste caso, pela locução "de quinhentos metros").
  • C) Errada: "...alusão à qualquer..." - É terminantemente proibido o uso da crase antes de pronomes indefinidos (como qualquer), pois eles rejeitam o artigo definido feminino. O correto é "a qualquer".
  • D) Errada: "...marcada à partir..." - Não ocorre crase antes de verbos ou de locuções verbais/adverbiais iniciadas por verbo no infinitivo, como é o caso de a partir. O correto é "a partir".
  • E) Errada: "...favorável à ela..." - É proibido o uso da crase antes de pronomes pessoais (do caso reto ou oblíquo), pois eles não admitem artigo definido. O correto é "a ela".

Questão 10 — Colocação Pronominal (Mesóclise e Fatores de Atração)

Banca: FGV | Cargo: Administrador | Perfil: Obrigatoriedade da mesóclise em tempos futuros e a anulação da atração por palavras negativas e advérbios.

Assinale a alternativa em que a colocação do pronome oblíquo átono está em estrita conformidade com a norma-padrão, considerando as regras de mesóclise, próclise e as proibições normativas.

  • A) "Me chamaria para a entrevista se soubesse do meu interesse."
  • B) "O diretor chamar-me-ia para a entrevista se tivesse mais tempo."
  • C) "Não chamar-me-ia para a entrevista de forma alguma."
  • D) "Talvez chamar-me-á amanhã sobre o resultado do edital."
  • E) "Ninguém informou-me sobre a nova diretriz do setor."
Ver gabarito e análise detalhada

Gabarito: Alternativa B.

  • A) Errada: "Me chamaria..." - Regra fatal da norma culta: é proibido iniciar oração com pronome oblíquo átono. Como o verbo está no futuro do pretérito e não há fator de atração, a forma correta seria a mesóclise "Chamar-me-ia".
  • B) Correta: "O diretor chamar-me-ia..." - O verbo está no Futuro do Pretérito do Indicativo e não há nenhuma palavra atrativa antes dele. Nessas condições, a mesóclise é obrigatória na norma-padrão. A construção está tecnicamente impecável.
  • C) Errada: "Não chamar-me-ia..." - A palavra negativa Não é um forte fator de atração, exigindo obrigatoriamente a próclise e anulando a mesóclise. O correto é "Não me chamaria".
  • D) Errada: "Talvez chamar-me-á..." - O advérbio Talvez é fator de atração, exigindo a próclise e anulando a mesóclise do Futuro do Presente. O correto é "Talvez me chamará".
  • E) Errada: "Ninguém informou-me..." - O pronome indefinido Ninguém é fator de atração, exigindo a próclise. O correto é "Ninguém me informou".
rico

Bacharel em administração, especialização em gestão financeira, gestão governamental, perito em contabilidade, analista de investimento e especialista em mercado financeiro.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Atualizar